Começou a tramitar no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados um pedido de cassação do mandato da deputada federal mineira Célia Xakriabá (Psol). A representação foi apresentada pelo PL e integra um conjunto de ações protocoladas pelo partido contra parlamentares da base governista, todas assinadas pelo presidente da legenda, Valdemar da Costa Neto.
A sigla pede a cassação do mandato da deputada com base em acontecimentos na madrugada de 17 de julho, por volta das 2h30, durante a votação do projeto de lei que flexibilizava as regras de licenciamento ambiental. Segundo a representação, a briga começou com uma troca de insultos entre Célia e Kim Kataguiri (União Brasil-SP), que escalou rapidamente.
De acordo com a representação, a mineira teria avançado contra Kataguiri com uma caneta sem tampa, tentando atingi-lo. O deputado Coronel Meira (PL-PE) tentou intervir e acabou ferido na mão direita pela caneta. O documento apresentado pelo PL afirma que Célia agiu de forma “destemperada e tomada pelo ódio que lhe é peculiar”.
No auge da confusão, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), chegou a acionar a Polícia Legislativa três vezes para tentar conter os ânimos. O estopim da crise foi uma provocação feita por Kataguiri, que ironizou o uso do cocar por Célia Xakriabá, dizendo que ela estaria fantasiada com um “cosplay de pavão”.
A deputada pediu a palavra para se defender, e o plenário virou palco de bate-bocas generalizados, com Célia sendo novamente alvo de ataques, principalmente por parte de parlamentares do PL. Antes disso, a mineira havia se referido a Kataguiri como “deputado estrangeiro” e “reborn”. A partir disso, a troca de ofensas escalou rapidamente.
Na ocasião, a deputada também levou o caso ao Ministério Público Federal (MPF) e acionou, por meio do Psol, o Conselho de Ética contra o parlamentar do União Brasil por quebra de decoro. A representação contra ele também foi incluída na pauta do colegiado.
Procurada, a assessoria de imprensa de Célia Xakriabá afirmou que a deputada está tranquila porque não agrediu ninguém. “A agredida e vítima de racismo no plenário, a vista de todos, foi ela. É só mais uma tentativa de inverter os papéis na violência sofrida”, declarou.