Por que governo Lula recusou a primeira sondagem por federalização da Codemig

Modelagem inicialmente cogitada pelo Executivo estadual foi rechaçada, abrindo caminho para duas outras possibilidades
As instalações da Codemig em Araxá
Codemig explora nióbio de Araxá em parceria com a privada CBMM. Foto: CBMM

O governo de Romeu Zema (Novo) sondou a União sobre a possibilidade de repasse de uma fatia minoritária da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) no âmbito da renegociação da dívida pública. A Secretaria do Tesouro Nacional (STN), entretanto, recusou a hipótese por entender que o decreto que regulamentou o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag) só permite a incorporação de parcelas minoritárias de sociedades anônimas com presença na Bolsa de Valores — o que não é o caso da estatal mineira, que tem capital fechado.

A justificativa para o declínio da União à proposta consta em ofício enviado ao Palácio Tiradentes em julho e obtido por O Fator

Na semana passada, o vice-governador Mateus Simões (Novo) já havia comunicado deputados estaduais da recusa do governo federal à ideia de transferência de uma fatia minoritária, mas não chegou a detalhar as razões elencadas pela STN.

Dois modelos 

A decisão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de rejeitar a transferência do controle acionário fez com que Minas Gerais solicitasse, ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), estudos para a avaliação da Codemig sob duas modelagens: o repasse de toda a companhia e a entrega apenas do controle acionário.

O BNDES foi acionado porque, segundo as regras do Propag, terá a missão de elaborar ou supervisionar os laudos de avaliação que vão definir o tamanho do desconto na dívida pública a reboque das federalizações. O banco, inclusive, já lançou comunicado ao mercado a fim de prospectar interessados em confeccionar o valuation da Codemig.

A estatal é responsável por explorar o nióbio de Araxá, no Alto Paranaíba. O trabalho acontece em parceria com a CBMM, empresa privada de propriedade da família Moreira Salles.

Controladora da Codemig, a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) também foi oferecida pelo estado à União por causa do Propag.

Sem EMC

Além de informar que não aceitaria uma fatia minoritária da Codemig, a STN já disse ao governo Zema que não tem interesse na federalização da Empresa Mineira de Comunicação (EMC), responsável por gerir a Rede Minas e a Rádio Inconfidência. 

A posição de recusa foi definida porque a EMC funciona sob a personalidade jurídica de sociedade limitada e recebe repasses do poder Executivo de Minas Gerais a título de custeio.

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