Em conversa com aliados, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) considerou como “precipitada” o lançamento, no último sábado (16), da pré-candidatura do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), à Presidência da República. A avaliação foi relatada por interlocutores próximos ao ex-chefe do Planalto a O Fator.
Segundo essas lideranças, Bolsonaro reconhece a legitimidade das pré-candidaturas, mas avalia que os movimentos poderiam ser mais cautelosos. A percepção é de que buscam o eleitorado dele justamente no momento em que o ex-presidente se prepara para enfrentar, em 7 de setembro, um julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).
Bolsonaro já havia sinalizado a integrantes do Novo e a aliados que não via o governador mineiro como sua opção preferencial para 2026. A avaliação é de que Zema tenta herdar o espólio político do ex-presidente, mas não se compromete com as principais pautas bolsonaristas e, no momento, não teria força suficiente para o pleito.
Agora, o comentário é de que o movimento antecipado de Zema pode dificultar negociações futuras dele com partidos de direita e centro-direita que ainda aguardam definições do ex-presidente. Bolsonaro, como O Fator mostrou, tem adotado cautela nas conversas e mantém em aberto o destino político do PL ao Planalto.
Prioridades de Bolsonaro
A prioridade do ex-presidente e de seus aliados, neste momento, é o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, que pode resultar em sua condenação. “Entendemos que teve uma falta de timing ao lançar essa candidatura dias antes do julgamento do presidente. Politicamente, isso significa muito”, contou um interlocutor.
No entendimento de dirigentes próximos ao PL, a definição do partido e de Bolsonaro sobre 2026 só ocorrerá após esse julgamento. Até lá, movimentos como o de Zema tendem a ser recebidos com reservas no campo bolsonarista. O mesmo se aplica ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), que também já oficializou seu nome na disputa.