A desconfiança de Tarcísio de Freitas com Romeu Zema

O governador de São Paulo tem sinalizado certa resistência em relação ao mineiro
Romeu Zema e Tarcísio de Freitas
Os presidenciáveis: Romeu Zema (Novo) e Tarcísio de Freitas (Republicanos). Foto: Mônica Andrade/Governo do Estado de SP

A movimentação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ao lançar sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026, ampliou ainda mais as discussões sobre possíveis composições na direita. Apesar de admitir que alianças podem ser formadas, Zema não é visto com entusiasmo pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Como apurou O Fator, Tarcísio tem, reservadamente, demonstrado desconfiança em relação ao mineiro. Interlocutores relatam que ele não acredita que Zema esteja preparado para uma disputa presidencial e considera que o governador de Minas ainda se enrola em falas e decisões, mostrando uma “postura vacilante”. Como resumem aliados, o “santo não bate” entre os dois.

Essa resistência tem gerado pequenos atritos até mesmo com aliados próximos. O presidente nacional do PSD e secretário no governo paulista, Gilberto Kassab, tem defendido a viabilidade de Zema, de olho em alianças nacionais e também em Minas, onde o partido negocia com o vice-governador Mateus Simões (Novo), pré-candidato ao governo estadual em 2026. Segundo fontes, a insistência não tem agradado Tarcísio.

Nos bastidores, ele tem ponderado que o momento é delicado e que, por isso, é preciso cautela antes mesmo de abrir qualquer discussão sobre possíveis composições de chapa. A leitura é de que movimentos precipitados poderiam gerar ruídos tanto dentro dos partidos quanto no campo da direita de forma mais ampla.

O que deixa essas movimentações ainda mais tensas é a expectativa sobre o futuro de Jair Bolsonaro (PL). No entorno do ex-presidente, ninguém trabalha com a hipótese de absolvição no julgamento marcado para 7 de setembro, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) vai analisar a acusação de tentativa de golpe de Estado. 

Com Bolsonaro fora do páreo e já inelegível até 2030 por duas decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o nome de Tarcísio de Freitas desponta como favorito para receber o apoio do ex-presidente na corrida presidencial. Apesar de reservas de parte da família Bolsonaro, como o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o político do Republicanos é hoje o mais cotado.

O governador paulista também tem conseguido apoio de outras legendas. Ele conta com o respaldo de partidos de centro, como o PSD, além da federação formada por União Brasil e PP. No caso dessa última, dirigentes já sinalizaram a intenção de indicar um nome para a composição da chapa presidencial.

Até lá, porém, Tarcísio evita movimentos bruscos. Não quer se desgastar com a base bolsonarista nem precipitar alianças antes de uma definição sobre Bolsonaro. A expectativa é de que, após o julgamento, a articulação pela sucessão de 2026 se acelere, e que o governador tenha uma resposta definitiva do ex-presidente sobre conceder ou não a sua bênção. 

O que pode mudar com Zema

Interlocutores lembram que, na política, tudo pode mudar. Nesse cenário, a relação entre os dois poderia ser redefinida caso Zema se consolidasse como um nome mais competitivo nas pesquisas de intenção de voto ou se houvesse uma decisão de Bolsonaro em favor da composição.

Eles acrescentam ainda que, quando se trata de alianças políticas, simpatias pessoais podem facilitar o dia a dia, mas o que realmente pesa são os votos. “É o pragmatismo que conta nessas horas. Mas, de toda forma, o governador está muito preocupado em esperar a decisão do Bolsonaro”, resumiu uma fonte.

Candidatura precipitada?

Como mostrou O Fator, Bolsonaro fez chegar a aliados que considerou “precipitado” o lançamento, no sábado (16), da pré-candidatura de Romeu Zema à Presidência em 2026. O ex-presidente avalia que o movimento foi mal calculado, principalmente por ocorrer dias antes do julgamento, que pode levá-lo à condenação.

Segundo relatos, a antecipação pode inclusive dificultar futuras negociações de Zema com partidos de direita e centro-direita que aguardam definições do ex-presidente. No PL, a percepção é de que qualquer decisão sobre a sucessão presidencial só será tomada após o julgamento do dia 7 de setembro. 

Antes mesmo do lançamento da pré-candidatura, Bolsonaro já tinha dito a aliados que o mineiro não seria o nome ideal para representar a direita em 2026. Sem apoio de Bolsonaro e temendo perder espaço, Zema antecipou o anúncio para tentar protagonismo na disputa ao Palácio do Planalto.

Leia também:

O plano federal para fábrica de fertilizantes em Uberaba

Ano novo, novas esperanças

Por que o esporte brasileiro precisa da isenção olímpica

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse