A declaração dada pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ao admitir a possibilidade de seu vice e pré-candidato à sucessão, Mateus Simões, trocar o Novo pelo PSD, foi interpretada de formas diferentes pelos partidos.
Na legenda de Zema, a avaliação é que, ao tocar publicamente no assunto, o chefe do Executivo estadual encontrou uma forma de pressionar a cúpula da agremiação a acelerar as tratativas para a montagem de chapas legislativas e palanques e, assim, garantir a manutenção de um filiado considerado estratégico.
Por outro lado, pessedistas simpáticos à possibilidade pregam cautela. Como O Fator mostrou, na semana passada houve avanços nas conversas entre PSD e Simões. Um apelo do Novo pela permanência do vice-governador, entretanto, freou momentaneamente a hipótese.
Outro elemento relevante foi a postura da direção nacional do PSD. Interlocutores próximos ao presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, afirmam que a legenda não deve tomar decisões antes da definição do senador Rodrigo Pacheco sobre disputar ou não o governo de Minas.
Agora, com a declaração pública de Zema, o entendimento é que o assunto pode voltar a ganhar fôlego.
“Sei que ele (Simões) tem conversado (com o PSD). Essa decisão vai depender muito dele. Ele sempre faz tudo com muita transparência — inclusive, com relação ao Partido Novo. Vamos ver essa decisão nas próximas semanas ou meses. Vai depender muito desse contexto eleitoral que está se formando para 2026”, afirmou o governador, nessa segunda-feira (25), ao participar do “Roda Viva”, da TV Cultura.
Pedido por agilidade
Interlocutores ouvidos pela reportagem avaliam que o Novo deveria intensificar os esforços para garantir a continuidade da agremiação na chefia do Executivo estadual. Nos bastidores, é dito que a legenda não tem dado a ele o espaço e a prioridade compatíveis com sua condição de pré-candidato ao Palácio Tiradentes.
Outra queixa recai sobre a formação de chapas competitivas para Assembleias e Congresso. O entendimento é que as candidaturas proporcionais são importantes para descentralizar a campanha ao governo do estado e, portanto, levar o nome de Simões ao interior.
Há ainda a avaliação de que, para quem pretende disputar o governo de Minas, o Novo dispõe de pouco tempo de televisão e de verbas limitadas do fundo eleitoral, consequência direta de sua bancada reduzida no Congresso Nacional.
Os trunfos do PSD
Nesse cenário, o PSD ofereceria vantagens estratégicas: tempo expressivo de televisão, recursos suficientes para sustentar uma campanha ao governo de Minas, uma bancada de 10 deputados estaduais com expectativa de crescimento.
Há também a avaliação de que estar em um partido mais próximo do centro político ajudaria Simões a adotar um discurso de afastamento da polarização. A leitura é que, no PSD, o vice-governador poderia atrair eleitores que, por questões ideológicas, têm dificuldade de votar em uma legenda à direita como o Novo.
Paralelamente, pessoas próximas a Simões minimizam a possibilidade de saída dele do partido e defendem que a aproximação com o PSD tem por objetivo a formação de uma coligação. A favor do partido de Zema, estão também a identificação de Simões com a sigla, bem como a boa relação com o chefe do Executivo mineiro.