Lula visita Minas em busca de apoio, enquanto Zema e Simões evitam dividir palanque

O presidente vai cumprir agendas em Contagem e Montes Claros; Rodrigo Pacheco é presença confirmada
Lula e Romeu Zema
O presidente Lula e o governador Romeu Zema em evento realizado em março de 2024, em Minas Gerais. Foto: Gil Leonardi / Imprensa MG

O clima eleitoral já começou a tomar forma em Minas Gerais. Na próxima sexta-feira (29), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca no estado e terá ao seu lado no palanque o senador Rodrigo Pacheco (PSD), nome que ele deseja ver como candidato ao governo mineiro.

Em contrapartida, as equipes do governador Romeu Zema (Novo) e do vice-governador Mateus Simões (Novo) consideram mínimas as chances de participação no evento. Com outros compromissos na mira, ambos não vão comparecer. Eles são pré-candidatos à Presidência e ao governo de Minas, respectivamente.

Atualmente, as declarações de Lula e Zema têm sido marcadas por críticas mútuas. Em agendas recentes em Minas, o presidente também não poupou ataques ao governador. Para evitar acirramento político e não dar palanque ao petista, tanto Zema quanto Simões decidiram se resguardar. 

Caso haja necessidade de resposta a falas de Lula ou de seus auxiliares, isso será feito posteriormente. Em entrevista ao portal Metrópoles, nesta quarta-feira (27), Zema disse que recebe Lula na Cidade Administrativa, mas não vai a eventos do presidente porque, segundo ele, seria vaiado.

“Quando é um evento do presidente Lula, só entram petistas para vaiar pessoas do meu governo. Você iria a um lugar desses, sabendo que, assim que chegasse lá, seria vaiado?”, questionou Zema.

“Eu o receberia na Cidade Administrativa, mas não irei a nenhum evento com ele, porque os eventos dele são feitos para causar constrangimento à minha equipe, à minha pessoa e ao meu governo. Só pode entrar lá quem tem carteirinha do PT. Inclusive oferecem lanches para poder ter um atrativo extra aí”, completou.

As agendas

Lula cumprirá agendas em Contagem e Montes Claros. Ao lado da prefeita Marília Campos, Lula participará da inauguração da Avenida Maracanã e fará anúncios na área de mobilidade urbana.

A última vez que Zema e Marília Campos estiveram juntos, inclusive, o momento foi marcado por constrangimento. Durante a entrega de uma obra de contenção de chuvas, a equipe do governador afastou autoridades para gravações, o que levou Marília a deixar o evento antes da coletiva de imprensa.

Horas depois, a petista se reuniu com o vice-governador, em Belo Horizonte. No encontro, realizado no BDMG, Simões pediu desculpas pelo episódio e atribuiu o mal-estar a um desencontro do cerimonial, sem decisão de gabinete. O descontentamento entre as partes, no entanto, persistiu. 

Em Montes Claros, conforme mostrou O Fator, o presidente participará da inauguração do Laboratório de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) da Acelen Renováveis, no Acelen Agripark. O empreendimento terá investimento total de R$ 314 milhões, dos quais R$ 258 milhões são financiados pelo BNDES.

Minas como termômetro 

Minas Gerais continua sendo um ponto decisivo nas eleições presidenciais. Desde a redemocratização, todo candidato que saiu vitorioso no estado acabou eleito para comandar o país. De olho nesse histórico, Lula aumentou sua presença em território mineiro.

Em 2023, Lula não visitou Minas e foi cobrado por aliados no estado pela ausência. No ano passado, ele realizou cinco viagens ao estado, visitando seis cidades, e em 2025 repetiu o número de deslocamentos, com compromissos em sete municípios.

Apesar de afirmar que pretende concorrer à reeleição, o presidente condiciona a decisão às condições de saúde em 2026. Auxiliares avaliam que as agendas pelo país teriam sido ainda mais intensas não fosse o acidente no fim do ano passado e a crise diplomática envolvendo Donald Trump.

Além disso, Simões já havia avançado em conversas para se filiar ao PSD, mas as tratativas foram interrompidas pela indefinição de Pacheco em relação à sua permanência no partido e à eventual candidatura ao governo.

Enquanto deputados estaduais e prefeitos defendem a candidatura do vice-governador, a bancada federal está mais alinhada ao senador. O ex-presidente do Senado se comprometeu a dar uma resposta a esse grupo político até outubro deste ano. 

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