O aval de Zema ao plano para tentar agilizar privatização da Copasa

Iniciativa de deputados estaduais pode separar projetos que preveem possibilidade de venda das estatais mineiras
Governo Zema mudou de ideia sobre a articulação do projeto. Foto: Agência Minas

O governador Romeu Zema (Novo) decidiu apoiar a estratégia de separar, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a tramitação das propostas de privatização da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e da Companhia de Saneamento (Copasa). A medida, debatida em recente reunião entre o governador, secretários e deputados estaduais, tem como objetivo facilitar o avanço da privatização da Copasa, considerada mais viável politicamente do que a venda da Cemig.

Embora tenham projetos específicos, as privatizações de Cemig e Copasa caminham lado a lado por força de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que quer eliminar a necessidade de referendo popular para autorizar a venda de estatais.

Pelo que O Fator apurou, o governo mineiro inicialmente resistia à ideia de fatiar a PEC. A avaliação era de que, ao adotar essa estratégia, o Executivo enterraria de vez a possibilidade de avançar na privatização da Cemig, uma das principais metas anunciadas na agenda de desestatizações. Essa posição mudou após auxiliares do governo reconhecerem a baixa probabilidade de aprovação da venda da estatal de energia, que enfrenta resistência de parte dos parlamentares.

Já em relação à Copasa, o cenário é distinto. Deputados de diferentes campos políticos têm demonstrado maior abertura à privatização da companhia de saneamento.

PEC do referendo

A PEC do referendo foi enviada à ALMG em outubro de 2023 e está parado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A obrigação do referendo foi incluída na Constituição mineira em 2001, por iniciativa do então governador Itamar Franco, que defendia a manutenção das estatais sob controle público. De acordo com a regra em vigor, para que uma privatização seja submetida à população, a consulta precisa ocorrer no mesmo dia de uma eleição geral, o que empurra qualquer possibilidade de votação para outubro de 2026 caso a PEC não avance.

No Legislativo, duas mudanças no texto vêm sendo discutidas. Uma delas prevê restringir a PEC apenas ao fim do referendo, sem alterar a exigência de quórum qualificado no plenário — mínimo de 48 votos favoráveis — para autorizar uma alienação. A outra hipótese é justamente o “fatiamento” do projeto: dividir o texto original, de modo que, em um primeiro momento, deputados analisem apenas a retirada da exigência de consulta popular para a venda da Copasa.

A Copasa ganhou ainda mais espaço nas discussões porque, segundo o vice-governador Mateus Simões (Novo), o governo federal não demonstrou interesse em federalizar a companhia como forma de abater parte da dívida estadual no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). Assim, o Executivo mineiro passou a considerar a negociação da empresa diretamente com investidores privados, destinando os recursos obtidos à amortização do passivo.

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