Entre um pedido de desculpas público do presidente Lula (PT) ao prefeito Álvaro Damião (União) e uma bronca nada discreta no ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), o lançamento do programa Gás do Povo no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, nessa quinta-feira (4), foi recheado de saias justas.
Logo no início, Lula se virou para Damião e reconheceu a gafe: em duas viagens seguidas a Contagem e à capital mineira em menos de duas semanas, deixou para trás a assinatura de um contrato de R$ 456 milhões em mobilidade urbana.
O recurso, previsto no PAC Seleções, inclui a compra de 100 ônibus elétricos e obras em corredores viários.
“Peço desculpas na frente de todos vocês. Eu não assinei lá (em Contagem, na semana passada) porque eu queria assinar aqui. Quando eu chego aqui, descubro que alguém da minha assessoria lá em Brasília, por conta própria, decidiu que não era pra assinar aqui”, disse Lula.
Damião, cujo partido acaba de desembarcar do governo federal, foi rápido no gatilho e tratou de avisar à imprensa: na próxima semana estará em Brasília. O contrato vai sair, mas com direito a peregrinação à capital federal.
Puxão de orelha
Resolvida a saia justa com o prefeito, começou outra. Coube ao ministro Alexandre Silveira apresentar o Gás do Povo ao público. Porém, a fala protocolar e pouco calorosa desagradou o presidente.
Mestre em oratória, Lula queria detalhar o passo a passo do benefício, das entregas do vale gás pelas lotéricas ao serviço das distribuidoras, e achou que a explicação do aliado mineiro deixou a plateia perdida. Ou pouco interessada.
Não se conteve. Chamou Silveira de volta ao palco e, microfone em mãos, lançou a ironia.
“Antes de eu falar o que quero falar, vou chamar o Alexandre Silveira, porque ele falou muito rapidamente como é que vocês devem fazer para pegar o gás. Eu tenho certeza que, se eu pedir para alguém perguntar aí, ninguém entendeu. E não tem coisa pior do que sair de um jogo de futebol sem saber o placar”, criticou o presidente, deixando claro para os presentes que o script ficou aquém do desejado.
O ministro refez a apresentação, desta vez, com a assessoria do presidente, experiente em domar leões. Lula o interrompia quase que a cada frase para garantir que a mensagem tocasse o coração do eleitor.
Afinal, 2026 está logo ali. E, mais: a comitiva presidencial estava no maior aglomerado de Minas Gerais, estado famoso por nortear os rumos dos pleitos nacionais.
Entre uma fala de Silveira e outra, o presidente lembrou que o botijão de gás sai da Petrobras a R$ 37, mas chega a até R$ 150 para o consumidor. E anunciou que o vale-gás passará de 5 milhões para 17 milhões de famílias, alcançando cerca de 50 milhões de pessoas.