Cemig prevê dívida de R$ 2,4 bilhões para 2026

Do total da dívida, 53% estão atrelados ao CDI e 47% ao IPCA
A relação Dívida Líquida sobre Ebitda fechou junho em 1,59 vez, nível considerado saudável. Foto: Cemig/Divulgação

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) tem R$ 2,4 bilhões em dívida para 2026, ante R$ 699 milhões em 2025 e R$ 940 milhões em 2027. O montante mais alto indica que a companhia prepara uma operação para rolagem dos débitos.

Mesmo com a concentração de vencimentos em 2026, a relação Dívida Líquida sobre Ebitda fechou junho em 1,59 vez, nível considerado baixo para o setor.

O indicador mede a alavancagem de uma empresa, mostrando o tempo, em anos, que ela levaria para pagar sua dívida líquida usando apenas o lucro gerado em suas operações (Ebitda). Ou seja, neste caso, a Cemig demoraria 1,59 anos para quitar a dívida. Um índice entre 1 e 2 é considerado saudável.

Perfil da dívida

Do total da dívida, 53% estão atrelados ao CDI e 47% ao IPCA. Em abril, a Cemig realizou emissão de debêntures de R$ 1,9 bilhão e alongou o prazo médio para 6 anos.

No campo da avaliação de crédito, a agência Moody’s Local Brasil elevou a nota da empresa de “AA+” para “AAA”, com perspectiva estável na semana passada. Esse é o segundo “Triple A” obtido pela Cemig. O primeiro havia sido concedido pela Fitch Ratings, em 2024. Trata-se da maior classificação de risco da história da companhia.

O ex-diretor da Cemig, ex-presidente da Eletrobrás e engenheiro Aloísio Vasconcelos avalia que o cenário de endividamento é confortável. “Olhando o mapa da Cemig, quando você faz a relação dívida/Ebitda, vê que o nível de endividamento é baixo e que a empresa, de um modo geral, tem enorme potencial para melhorar. Alguma ação para alongar a dívida deve ser tomada.”

Em nota, a Cemig afirmou que o nível de endividamento está compatível com o Planejamento Estratégico e destacou que vem ajustando o perfil da dívida com o alongamento de prazos e cronograma de amortização adequado. “No que se refere aos vencimentos de dívidas, a necessidade de recursos ao longo dos próximos anos será suportada pela geração de caixa próprio e por recursos de terceiros”, diz o texto.

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Em entrevista coletiva em 3 de setembro, o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Tadeu Martins, afirmou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que autoriza a exclusão da necessidade de referendo popular para a privatização ou federalização de estatais também terá a tramitação retomada.

No entanto, a previsão é a de que apenas a Copasa seja apreciada, deixando a Cemig de lado. O referendo, se acontecer, será realizado no dia das eleições.

O desmembramento é fruto da percepção dos deputados, confirmada por pesquisas internas, de que a venda da Cemig não passaria em um referendo popular. E desagradar o mineiro é desagradar o eleitor.

Veja a nota da Cemig na íntegra:

“A Companhia reforça que seu nível de endividamento está compatível com seu Planejamento Estratégico e abaixo do apresentado por seus pares, mesmo neste momento em que realiza o maior programa de investimentos de sua história. O perfil da dívida vem sendo ajustado de forma consistente nos últimos anos, com o alongamento do prazo médio e um cronograma de amortização adequado. Essa estratégia tem melhorado a qualidade de crédito da Companhia, corroborada pelas principais agências de risco do mercado, que classificam a Cemig com os melhores ratings de sua história. No que se refere aos vencimentos de dívidas, a necessidade de recursos ao longo dos próximos anos será suportada pela geração de caixa próprio e por recursos de terceiros”.

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