Postura do presidente do Republicanos em Minas gera incômodo em partidos de direita

O desconforto se deve às falas de Euclydes Pettersen sobre candidaturas de partidos aliados em 2026
Euclydes Pettersen
O presidente do Republicanos em Minas, o deputado federal Euclydes Pettersen. Foto: Douglas Gomes / Liderança Republicanos / Divulgação

De olho em uma vaga no Senado em 2026 e empenhado em viabilizar o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) como candidato ao governo de Minas Gerais, o deputado federal Euclydes Pettersen tem intensificado sua atuação e buscado espaço nas articulações eleitorais da direita mineira.

Aliás, mais do que falar, o presidente do Republicanos em Minas tem articulado nos bastidores. A postura, no entanto, vem gerando desconforto em lideranças de partidos aliados, sobretudo no PL e no Novo, que avaliam que o parlamentar tem acelerado demais o processo eleitoral.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, integrantes do Novo se incomodaram após Euclydes afirmar que a pré-candidatura do governador Romeu Zema à Presidência da República em 2026 dificultaria, em primeiro turno, qualquer composição estadual entre a sigla, o PL e o Republicanos.

O plano do Novo em Minas é lançar o vice-governador, Mateus Simões, como sucessor de Zema. Na tentativa de consolidar seu nome, ele busca atrair Cleitinho e também o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tem o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto.

Na última semana, após reunião com o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, Euclydes avaliou o cenário em conversa com O Fator. Segundo ele, ao menos no primeiro turno, seria difícil o Novo marchar junto com o PL e o Republicanos, já que a legenda teria de sustentar a candidatura presidencial de Zema.

Esse encontro em Brasília foi justamente o que ampliou o ruído com outras siglas. Como mostrou O Fator, da conversa com Valdemar, Cleitinho e a deputada federal Greyce Elias (Avante), surgiu a possibilidade de que ela disputasse como vice-governadora, indicada pelo PL, em uma eventual chapa encabeçada por Cleitinho.

O fato de a sugestão ter sido apresentada diretamente à cúpula nacional do PL gerou irritação no diretório estadual e na bancada na Câmara, que chegou a discutir o tema internamente. O incômodo aumentou pelo fato de a deputada ainda nem ter se filiado à legenda.

No mesmo dia, o PL em Minas divulgou nota negando qualquer negociação sobre a indicação de Greyce para representar o partido em uma aliança eleitoral.

Um dirigente do PL, sob reserva, afirmou que o presidente do Republicanos em Minas vem falando em nome da sigla de Bolsonaro sem autorização. “Ele não tem procuração para falar em nome do partido. As decisões que cabem a ele são as do Republicanos. Essa afobação pode até atrapalhar o próprio Cleitinho”, resumiu.

Questão nacional

Nos bastidores, a avaliação é que nenhuma decisão estadual será tomada antes de um posicionamento nacional. O impasse, porém, está condicionado ao julgamento de Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado, na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

Com uma eventual condenação, dois cenários estão no radar: a “benção” de Bolsonaro à candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à Presidência em 2026, ou a aposta em nomes da família do ex-presidente, entre eles um dos filhos ou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Resposta

Após a publicação, Euclydes Pettersen procurou a reportagem para afirmar que nunca houve qualquer conversa, muito menos levada à cúpula nacional do PL, sobre a possibilidade de indicar a deputada Greyce Elias como vice ao governo de Minas. Ele ressaltou que o Republicanos não tem adiantado tratativas relacionadas à composição estadual.

Pettersen disse que não tem acelerado o processo como foi dito por fontes ouvidas pelo O Fator. Segundo ele, se houve alguma antecipação, foi por parte do Novo, que lançou a pré-candidatura do governador Romeu Zema à Presidência da República. E que justamente isso é o que dificulta uma aliança entre PL, Republicanos e Novo no primeiro turno.

Nessa conjuntura, segundo ele, Republicanos mantêm posição de aguardar a definição de Bolsonaro e também o resultado de seu julgamento, fatores que vão indicar o desenho da conjuntura nacional.

“Não estamos acelerando o processo. Estamos esperando as definições nacionais para depois tratarmos das estaduais. Se houve algum adiantamento, foi feito pelo Novo. Lançaram um pré-candidato à Presidência sem a definição de Bolsonaro ainda sobre o assunto. E isso impacta nas composições de palanques estaduais,” explicou.

Sobre o cenário em Minas, ele disse que há um compromisso entre os partidos que está mantido: no momento adequado, irão reunir suas lideranças e pré-candidatos para avaliar quem apresenta melhor desempenho eleitoral e, a partir disso, lançar um nome único ao comando do estado.

Greyce Elias também procurou O Fator e disse que sua reunião com Valdemar Costa Neto, foi uma visita de cortesia, que serviu para um convite de filiação ao PL. A parlamentar afirmou que não houve nenhuma discussão sobre indicação de vice-governador para 2026.

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