Deputada aciona Fhemig por impugnação de edital do complexo hospitalar de BH

Pedido foi encaminhado à fundação por Beatriz Cerqueira, do PT; empreendimento é projetado para a Gameleira
Foto mostra o projeto do complexo hospitalar
Governo de Minas quer reunir hospitais em complexo na Gameleira. Foto: Governo de Minas/Divulgação

A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) recebeu, nessa quarta-feira (10), um pedido de impugnação do edital para a construção e a operação do Complexo do Hospital Padre Eustáquio (Hope), em Belo Horizonte. A ideia do governo mineiro é implantar o espaço na área do antigo Hospital Galba Veloso. O ofício solicitando a paralisação da concorrência é da deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT). 

Segundo a parlamentar, há “vícios insanáveis” nas regras do edital, lançado em junho. No pedido de impugnação, acessado por O Fator, Beatriz fala em “ausência de comprovação de que a criação do novo complexo resultará em efetiva ampliação da capacidade de atendimento da rede pública ou em aumento no número de vagas e leitos disponíveis”. 

Na visão da requerente, há risco de “apenas substituir estruturas já existentes, sem resolver a atual demanda reprimida”.

Beatriz questiona, por exemplo, o fato de a concorrência prever, à vencedora da licitação, a tarefa de organizar a transferência, para o complexo, das operações dos hospitais Eduardo de Menezes, Alberto Cavalcanti e João Paulo II, bem como da Maternidade Odete Valadares. Na visão da petista, esse trabalho deveria caber ao poder público.

Para a deputada, o processo de concorrência do Complexo do Padre Eustáquio é uma tentativa de burlar a Assembleia Legislativa. Ela entende que a terceirização da gestão hospitalar deve ser precedida pela aprovação, no Parlamento, do projeto de lei que estabelece o Serviço Social Autônomo (SSA) em hospitais da Fhemig. O texto, apresentado no ano passado pelo governador Romeu Zema (Novo), ainda precisa ser votado em dois turnos no plenário.

Em outro trecho do pedido de impugnação, a petista diz que o novo complexo pode prejudicar a lógica do Sistema Único de Saúde (SUS), gerando a centralização dos atendimentos em BH “em detrimento da manutenção de hospitais regionais que cumprem papel estratégico no atendimento de milhares de cidadãos”.

Fhemig analisa 

À reportagem, a Fhemig confirmou ter recebido o pedido de impugnação e disse que a comissão responsável por conduzir a concorrência analisa as alegações.

“Informamos que a Comissão de Contratação responsável pela licitação do Complexo de Saúde Padre Eustáquio (HoPE) recebeu a petição e está analisando o documento, devendo divulgar sua decisão dentro do prazo estipulado e dos termos do edital”, informou a entidade.

Aval da Câmara

No início da semana, a Câmara Municipal de BH (CMBH) aprovou, em 2° turno, o projeto que autoriza a destinação, ao estado, da área do antigo Galba Veloso. Para defender a proposta, o governo mineiro tem dito que o complexo terá 500 leitos, sendo 100 de terapia intensiva, 60 consultórios e 13 salas de cirurgia, além de sediar o novo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen).

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Leia também:

A nova presidente do Psol em Minas

O que tem embaralhado as conversas entre PL e Republicanos por aliança em Minas

O ‘presente autografado’ de deputada do PL a Cleitinho

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse