Os chamados “gastos socioambientais” de Itaipu, que tiveram aumento bilionário no governo Lula, incluem dois projetos em Minas Gerais: um da UFMG e um da Fadema, instituição vinculada ao Instituto Federal do Sul de Minas.
Esses gastos estão na mira de deputados da oposição porque, sem eles, a conta de luz poderia baixar. Isso porque Itaipu quitou, no começo de 2023, a última parcela da dívida para sua construção.
No entanto, os gastos socioambientais subiram de US$ 505 milhões em 2022 para US$ 921 milhões em 2023, e chegaram a US$ 871 milhões em 2024. Os dados são da própria Itaipu. Assim, no biênio 2023-2024 esses gastos somaram quase 1,8 bilhão de dólares, ou mais de R$ 9,6 bilhões no câmbio de hoje.
O ministro Alexandre Silveira foi convocado pela Comissão de Relações Exteriores da Câmara para depor sobre o assunto. Ele tinha sido convidado antes para falar sobre o mesmo assunto, mas faltou.
Um estudo da consultoria legislativa da Câmara, feito a pedido da deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP), conclui que “a tarifa de Itaipu poderia ser até 50% inferior ao atual nível, após a quitação da dívida, e sem os custos socioambientais que vem sendo praticados”.
Neste ano, os gastos de Itaipu incluem, por exemplo, R$ 181 milhões para reformas no porto de Outeiro, em Belém do Pará, para recepção de navios de cruzeiro para a COP 30.
De janeiro de 2023 até junho de 2025 – último balanço já publicado – há registros de mais de 400 projetos apoiados por Itaipu, alguns deles aditamentos de projetos já existentes. Dois deles são em Minas Gerais.
A Fadema, localizada em Machado, no sul de Minas, realiza um projeto de formação e valorização de merendeiras e nutricionistas, ainda em andamento. Itaipu vai bancar quase R$ 4,7 milhões. A Fadema informou a O Fator como encontrar os dados do projeto em seu próprio Portal da Transparência. Entre os gastos já executados, há um pagamento de R$ 59.345,00 para uma produtora de eventos e R$ 71 mil em passagens aéreas ou terrestres para “palestrantes, equipe do projeto e participantes (comunidade escolar) para reuniões, seminários e eventos”. O projeto deve encerrar em setembro de 2026.
O acordo com a UFMG foi para “desenvolvimento de vacinas inativadas contra o vírus da língua azul e da doença hemorrágica dos cervídeos para imunização de cervídeos no Refúgio Biológico Bela Vista da Itaipu Binacional”. O convênio foi aditado em outubro de 2024, com suplementação do valor, de R$ 72 mil para R$ 174 mil, e já foi finalizado, conforme Itaipu informou a O Fator.
Como ocorreu em várias outras reportagens, a UFMG não respondeu às nossas perguntas.
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