Poucas vezes ao longo das últimas décadas, pelo menos após a redemocratização, o país esteve tão pronto e maduro para dar um salto de crescimento e desenvolvimento.
Empresas sólidas, capital estrangeiro farto e represado – em busca de remuneração -, sistema bancário robusto, infraestrutura ainda insuficiente, mas longe do caos de 15 anos atrás, e uma agenda internacional voltada para a economia verde, que necessita desesperadamente de um país abundante em recursos naturais e distante de zonas de conflitos bélicos como o Brasil, são os ingredientes à nossa disposição.
A tecnologia digital – cada vez mais barata e sem fronteiras – e a integração global conseguem diminuir nossos gargalos intelectuais, senão resolvendo nosso gigantesco déficit educacional, ao menos paliativa e momentaneamente suprindo o mercado de trabalho mais qualificado, até que formemos a base necessária para uma educação de século XXI – lembrando que o mundo desenvolvido já está no século XXII.
2026
Porém, como não é novidade, a insegurança jurídica e o ambiente político impedem que a fagulha de esperança se torne a fogueira da realidade. Nossas leis são cada vez mais incertas, e os julgamentos, sujeitos a influências; as regulações e regulamentações estatais guerreiam contra a iniciativa privada; o Estado, em todas as esferas (municipal, estadual e federal) e os poderes (executivo, legislativo e judiciário) continuam gastando muito e mal, mantendo as condições macroeconômicas imprevisíveis e sufocantes, sobretudo inflação e juros; e o mundo político não consegue se livrar do passado recente e longínquo, orbitando ou entre grupos corruptos ou grupos autoritários – ambos corporativistas e fisiológicos.
Nesse sentido, as eleições de 2026 podem ser o ponto de inflexão para o país. O surgimento de uma liderança moderada, longe dos polos lulopetista e bolsonarista, capaz de conciliar as agendas de desenvolvimento sustentável, equilíbrio fiscal, tributação justa, distribuição de renda, abertura da economia, formação de capital intelectual e investimento em infraestrutura é – muito mais do que bem-vinda! – necessária. Fundamental.
A maior parte do eleitorado espera por isso, clama por isso. Todas as recentes pesquisas de opinião mostram a rejeição dos dois maiores líderes políticos da atualidade (Lula e Bolsonaro). E as bolhas, hoje fidelizadas por espectros políticos retrógrados e ineficientes, que se retroalimentam pelo discurso da cisão social, já que incapazes de planos e propostas para o país, tendem a se dissipar e a buscar águas mais tranquilas, pois ninguém suporta mais esse maremoto de fúria constante.
Quem será?
Temos bons nomes que, infelizmente, ao menos nesse momento, por cálculo eleitoral, estão umbilicalmente ligados ao bolsonarismo radical, notadamente Tarcísio de Freitas e, vá lá, Romeu Zema. Há também nomes como Ratinho Júnior e Eduardo Leite, mas que ainda não mostram grande potencial eleitoral. No campo da esquerda, não só não há nomes competitivos como não se vislumbra a menor intenção de mudança de pensamento e de quebra de paradigmas.
O ideal seria o surgimento de um outsider – não necessariamente um “não político” -, que conseguisse tocar o sentimento de paz que busca a sociedade e que fosse capaz de propor uma agenda de equilíbrio entre as demandas sociais, políticas e econômicas, sendo um nome conciliador politicamente e de apelo popular sem estigmas pré-concebidos.
Parece milagre, impossível? Parece. Eu mesmo não nutro qualquer esperança nesse sentido ou tenho um nome para sugerir. Mas a cada conversa com um grande empresário, com um grande intelectual, com um grande político – sim, são raros, mas existem -, com um grande analista, eu vejo que há saída. E, definitivamente, não é o aeroporto.