Pacheco ou Simões? A corda bamba de Kassab sobre a posição do PSD mineiro em 2026

Presidente nacional do partido afagou, no mesmo discurso, vice-governador de Minas e ex-presidente do Congresso Nacional
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o presidente da legenda em Minas, Cássio Soares.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o presidente da legenda em Minas, Cássio Soares. Foto: Divulgação

Estrela do encontro de prefeitas e prefeitos do PSD mineiro, ocorrido nessa segunda-feira (15), em Belo Horizonte, o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, evitou marcar posição sobre os rumos da legenda na disputa pelo governo do estado no ano que vem. Kassab fez um discurso marcado por elogios ao senador Rodrigo Pacheco, seu correligionário, e afagos ao vice-governador Mateus Simões (Novo), cuja filiação aos quadros pessedistas é defendida por setores da legenda.

Simões, que resolveu, de última hora, comparecer à atividade do PSD, foi chamado por Kassab de “gestor de excelência” e “inspirador da boa política”. A possibilidade do vice-governador mudar de partido, cabe lembrar, foi publicamente admitida pelo governador Romeu Zema (Novo) no mês passado, ao “Roda Viva”, da TV Cultura. 

“O senhor sempre será muito bem-vindo aqui. Sinta-se, aqui, em casa”, afirmou.

Ao tratar de Pacheco, que não esteve na agenda partidária, Kassab lembrou das articulações que moveu para filiá-lo ao partido, em 2021. Á época, o dirigente tentou lançá-lo como candidato à Presidência da República.

“Todos sabem a admiração que tenho pelo Rodrigo. É uma pessoa muito bem preparada. Fizemos, nós do PSD, nosso candidato a presidente da República (pré-candidato em 2022) porque sabíamos de sua seriedade e de seu preparo. É uma pessoa muito querida, que fez um excelente trabalho à frente do Senado, que merece nossa reverência, admiração e reconhecimento”, assinalou.

Divisão velada

O PSD de Minas enfrenta um momento de incertezas. A ala simpática à filiação de Simões é composta por deputados estaduais e parte dos prefeitos do partido. Outros chefes de Executivos municipais, somados a deputados federais, caminham ao lado de Pacheco.

Simões já fala como pré-candidato ao Executivo estadual e deve assumir o governo no ano que vem, quando Zema se desincompatilibazará do cargo de olho na disputa presidencial. Pacheco, por sua vez, ainda não bateu o martelo sobre a possibilidade de concorrer ao governo. Ele prometeu a aliados uma resposta sobre o tema até outubro.

Ontem, ao discursar no evento do PSD, o vice de Zema comemorou o fato de o partido estar na base aliada. 

“Os deputados do PSD estão conosco em cada um dos momentos que temos a comemorar na administração do estado de Minas Gerais, mas também naqueles momentos difíceis”, pontuou.

No início do mês, Pacheco chegou a emitir nota pública criticando o que chamou de “tentativa desenfreada de antecipação do calendário eleitoral”. O texto foi interpretado por interlocutores do ex-presidente do Congresso Nacional como uma tentativa de conter uma eventual aproximação da sigla ao vice de Zema.

“Da minha parte, continuarei trabalhando com foco nas questões mais urgentes e sem nenhuma intenção de mudança, seja das minhas convicções ou de legenda partidária. Ingressei no PSD a convite de seu presidente nacional, Gilberto Kassab, permaneci dois mandatos à frente da Presidência do Senado na legenda, da qual sou grato e leal aos meus correligionários”, indicou, à ocasião.

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