O conflito de versões sobre a conturbada visita de comitiva da ALMG a uma reserva ambiental no Jequitinhonha

Moradores apontam falta de diálogo, enquanto deputada diz ter sido alvo de tentativa de obstrução de acesso ao local
Vista da Chapada do Lapão, em Araçuaí.
Vista da Chapada do Lapão, em Araçuaí. Foto: Willian Dias/ALMG

A visita de uma comitiva da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a uma área de proteção ambiental (APA) em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, deflagrou um mal-estar entre moradores da região e o grupo de visitantes, liderado pela deputada Beatriz Cerqueira (PT). 

De um lado, cidadãos que moram na área, conhecida como Chapada do Lapão, acusam a parlamentar de se recusar a dialogar com a comunidade. Beatriz, por sua vez, diz que locais tentaram impedi-la de entrar na reserva. O caso aconteceu na quinta-feira (11).

O debate gira em torno do tamanho da APA Chapada do Lapão. Originalmente, o espaço tinha cerca de 22 mil hectares. Uma lei municipal de maio, contudo, alterou o perímetro para aproximadamente 10 mil hectares. 

Os chapadeiros — nome dado aos moradores da região — afirmam que a redução aconteceu a fim de adequar a APA à realidade de Araçuaí, aumentando a área destinada à agricultura familiar. Já a deputada critica a mudança no tamanho da reserva.

Segundo Adair Batista, presidente da Associação dos Moradores e Proprietários do Entorno da Chapada do Lagoão (Ampechal), não houve tentativa de impedir a comitiva da Assembleia de entrar no espaço de proteção.

“As imagens comprovam o contrário. Nos aproximamos do carro da deputada e pedimos para conversar. Ela alegou que a presença da prefeitura foi o motivo para que não houvesse dialogo”, afirmou.

Beatriz chegou a acionar a Polícia Militar para realizar a visita.

“O que mais me preocupou (na visita) foi a violência, a hostilidade de grupos que se organizaram para impedir o nosso trabalho, as ameaças, a intimidação que fizeram logo no período da manhã. Se fizeram isso com a Assembleia Legislativa, eu imagino o que não estão fazendo com a comunidade no dia a dia”, disse ela.

Temor por mudanças

A associação que reúne moradores e donos de terra nos arredores temem a possibilidade de criação de uma APA de teor estadual em Araçuaí, o que poderia reduzir os impactos da mudança de perímetro aprovada neste ano.

“As pessoas ‘de fora’ precisam escutar quem vive e cuida da Chapada mesmo antes da constituição de uma APA. Aqui todos preservaram o meio ambiente, não só o que é determinado em códigos e leis, não há necessidade de expansão da área atual para essa finalidade”, pontuou Adair Batista. 

Em uma carta aberta divulgada na semana passada, a associação defendeu que os recursos sejam utilizados para estruturar a área de proteção já existente. O pleito é por direcionamento de verbas para ações de manejo e prevenção de focos de incêndio.

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