A visita de uma comitiva da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a uma área de proteção ambiental (APA) em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, deflagrou um mal-estar entre moradores da região e o grupo de visitantes, liderado pela deputada Beatriz Cerqueira (PT).
De um lado, cidadãos que moram na área, conhecida como Chapada do Lapão, acusam a parlamentar de se recusar a dialogar com a comunidade. Beatriz, por sua vez, diz que locais tentaram impedi-la de entrar na reserva. O caso aconteceu na quinta-feira (11).
O debate gira em torno do tamanho da APA Chapada do Lapão. Originalmente, o espaço tinha cerca de 22 mil hectares. Uma lei municipal de maio, contudo, alterou o perímetro para aproximadamente 10 mil hectares.
Os chapadeiros — nome dado aos moradores da região — afirmam que a redução aconteceu a fim de adequar a APA à realidade de Araçuaí, aumentando a área destinada à agricultura familiar. Já a deputada critica a mudança no tamanho da reserva.
Segundo Adair Batista, presidente da Associação dos Moradores e Proprietários do Entorno da Chapada do Lagoão (Ampechal), não houve tentativa de impedir a comitiva da Assembleia de entrar no espaço de proteção.
“As imagens comprovam o contrário. Nos aproximamos do carro da deputada e pedimos para conversar. Ela alegou que a presença da prefeitura foi o motivo para que não houvesse dialogo”, afirmou.
Beatriz chegou a acionar a Polícia Militar para realizar a visita.
“O que mais me preocupou (na visita) foi a violência, a hostilidade de grupos que se organizaram para impedir o nosso trabalho, as ameaças, a intimidação que fizeram logo no período da manhã. Se fizeram isso com a Assembleia Legislativa, eu imagino o que não estão fazendo com a comunidade no dia a dia”, disse ela.
Temor por mudanças
A associação que reúne moradores e donos de terra nos arredores temem a possibilidade de criação de uma APA de teor estadual em Araçuaí, o que poderia reduzir os impactos da mudança de perímetro aprovada neste ano.
“As pessoas ‘de fora’ precisam escutar quem vive e cuida da Chapada mesmo antes da constituição de uma APA. Aqui todos preservaram o meio ambiente, não só o que é determinado em códigos e leis, não há necessidade de expansão da área atual para essa finalidade”, pontuou Adair Batista.
Em uma carta aberta divulgada na semana passada, a associação defendeu que os recursos sejam utilizados para estruturar a área de proteção já existente. O pleito é por direcionamento de verbas para ações de manejo e prevenção de focos de incêndio.
