O Consórcio Saúde Hope, formado pelas empresas Integra Brasil, Oncomed Centro de Prevenção e Tratamento de Doenças Neoplásicas e B2U Participações, venceu nesta sexta-feira (19) a licitação para gestão da Parceria Público-Privada (PPP) de construção do novo complexo hospitalar em Belo Horizonte. A proposta vencedora foi de R$ 286 milhões, com deságio de 13,03% sobre o valor base do edital.
A representação do consórcio ficou a cargo da corretora Ativa Investimentos durante o processo licitatório. A conclusão da primeira fase da concorrência foi anunciada pela manhã desta sexta-feira pela Comissão de Contratação da PPP do Complexo de Saúde Hospital Padre Eustáquio (HoPE).
Disputa
Das quatro propostas apresentadas na terça-feira (16), uma foi considerada inapta por falhas na garantia de proposta. A licitação, que movimenta R$ 1,74 bilhão, teve a documentação entregue na sede da B3, em São Paulo, com assessoria técnica da bolsa e acompanhamento de representantes da Corporação Financeira Internacional (IFC).
A empresa identificada pelo código “199” foi desqualificada após diligência que confirmou a ausência de garantia de proposta válida. A licitante não atendeu aos requisitos do edital, que previa capital social mínimo de R$ 110 milhões.
Além do Consórcio Saúde Hope, participaram da disputa a OPY Healthcare Gestão de Ativos e Investimentos, com proposta individual representada pelo gerente de novos negócios Henrique Muniz de Souza e corretora Safra Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários; a Construcap CCPS Engenharia e Comércio, representada pelo diretor-presidente Roberto Ribeiro Capobianco e pela Nova Futura Corretora de Títulos e Valores Mobiliários; e o Consórcio Cise Hope, que foi inabilitado da disputa, formado por REC Imóveis, Âmbar-Saúde, Sian Holding e Incorplan Engenharia, representado pela Terra Investimentos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.
Consolidação de cinco unidades
O complexo será construído no terreno do antigo Hospital Galba Veloso, na região da Gameleira, consolidando cinco unidades de saúde: Hospital Alberto Cavalcanti, Hospital Infantil João Paulo II, Hospital Eduardo de Menezes, Maternidade Odete Valadares e o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-MG) da Funed.
O contrato prevê valor total de R$ 2,4 bilhões ao longo dos 30 anos de concessão, com data-base de março de 2025. A estrutura oferecerá 532 leitos, incluindo 110 de UTI, além de 13 salas cirúrgicas distribuídas em mais de 60 consultórios.
As projeções indicam crescimento na capacidade de atendimento: mais de 200 mil consultas anuais, representando aumento de 45%, e mais de 30 mil internações por ano, com crescimento de 60%. O projeto inclui infraestrutura modular para ativação de leitos adicionais durante emergências sanitárias.
O complexo manterá as especialidades existentes – pediatria, infectologia, saúde da mulher, oncologia e dermatologia sanitária – e incorporará oncologia infantil, cirurgias pediátricas, onco-hematologia, tratamento de doenças do sangue, transplante de medula óssea e tratamento de endometriose.
O Laboratório Central de Saúde Pública integrará as atividades de vigilância laboratorial epidemiológica, sanitária e ambiental, processando mais de 1,5 milhão de exames de diagnóstico e mais de 375 mil análises de controle sanitário anuais. A estrutura permitirá diagnósticos para Covid-19, meningite, leishmaniose e outras doenças de notificação compulsória, além de análises de qualidade para água, alimentos, medicamentos e cosméticos.
Financiamento e cronograma
O projeto conta com aporte público de R$ 350 milhões, sendo R$ 267,7 milhões provenientes do Termo de Medidas de Reparação pelos danos de Brumadinho. O modelo de concessão substitui mais de 270 contratos terceirizados da Fhemig e Funed por um único contrato integrado.
A empresa vencedora assumirá responsabilidades de construção, equipagem, operação, manutenção e prestação de serviços de apoio ao longo do período concessional. As licitantes apresentaram garantia de proposta de R$ 24 milhões, equivalente a 1% do valor estimado.
A concessionária deverá constituir uma Sociedade de Propósito Específico com capital social mínimo de R$ 27,5 milhões para executar o projeto. O cronograma estabelece a assinatura do contrato para dezembro de 2025, com início das operações previsto para 2029. O projeto foi precedido por consulta pública realizada entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025.