O MDB quer acelerar as articulações para tentar trazer o senador Rodrigo Pacheco de volta aos seus quadros. Atento ao movimento do PSB, que também corteja o parlamentar, o partido não pretende ficar para trás na disputa pela filiação.
O argumento central é simbólico: foi pelo MDB que Pacheco iniciou a carreira política e conquistou seu primeiro mandato, como deputado federal em 2014. E, além disso, não enfrentaria divergências estruturais internas, como acontece hoje no PSD.
O ex-presidente do Senado manteve vínculos com dirigentes emedebistas em Minas e tem relação próxima, no plano nacional, sobretudo com o deputado federal Baleia Rossi, que comanda o partido nacionalmente.
Segundo membros do diretório nacional, a avaliação é de que esse histórico, somado ao maior alinhamento do MDB com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação ao PSD, pode pesar na decisão de Pacheco sobre seu futuro político.
A investida ganhou força após o evento do PSD em Minas, na segunda-feira (15), expor ainda mais a divisão interna da sigla e a dificuldade de o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, em administrar dois caminhos.
De um lado, Pacheco, que deve decidir até outubro se concorrerá ao governo de Minas. De outro, a possibilidade de filiação do vice-governador Mateus Simões, hoje no Novo, que Kassab colocou publicamente em pé de igualdade com o senador.
A sinalização aumentou a pressão de partidos interessados em Pacheco, que veem na indecisão uma janela de oportunidade. Segundo fontes, o senador precisa avaliar se quer permanecer num partido que, muitas vezes, “joga contra ele”.
Palanque nacional
O Palácio do Planalto acompanha de perto essas movimentações. Lula é o principal interessado em ter Pacheco como candidato em Minas, para montar um palanque robusto no estado nas eleições de 2026, quando deve tentar a reeleição.
Ao mesmo tempo, o PSD nacional se inclina a apoiar a candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para disputar a sucessão.
Kassab, além de presidir o PSD, é secretário de Governo e Relações Institucionais do governo de São Paulo, o que estreita a ligação com Tarcísio. Nos últimos meses, ele também tem elevado o tom das críticas ao governo Lula.
Como já mostrou O Fator, em Minas, deputados estaduais do PSD avaliam que a candidatura de Simões teria mais sintonia com a guinada da sigla à direita. O vice-governador já demonstrou interesse em migrar para o partido, mas sua movimentação depende diretamente da decisão de Pacheco.
Aliados de Pacheco defendem sua permanência no PSD ao destacar o peso da estrutura partidária: a legenda de Kassab é a que concentra o maior número de prefeituras do país e dispõe de recursos e tempo de TV robustos para uma disputa.
Avaliam ainda que, se optar por concorrer ao governo mineiro pelo partido, o senador terá condições de unificar a sigla em torno de seu nome, inclusive entre setores que hoje resistem à sua candidatura.
No início do mês, Pacheco publicou uma nota pública criticando o que chamou de “tentativa desenfreada de antecipação do calendário eleitoral”. O texto foi interpretado por interlocutores como uma tentativa de conter uma eventual aproximação da sigla ao vice de Romeu Zema.
“Da minha parte, continuarei trabalhando com foco nas questões mais urgentes e sem nenhuma intenção de mudança, seja das minhas convicções ou de legenda partidária. Ingressei no PSD a convite de seu presidente nacional, Gilberto Kassab, permaneci dois mandatos à frente da Presidência do Senado na legenda, da qual sou grato e leal aos meus correligionários”, escreveu.
Paralelamente às articulações eleitorais, Pacheco mantém em aberto a possibilidade de ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), hipótese que pode ganhar força caso se confirme uma aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso.