PT adia, de novo, escolha de integrantes da nova executiva estadual

Mesmo após eleição de Leninha, impasse na divisão de cargos inviabilizou mais uma vez o encontro do diretório estadual
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Leninha cancelou, pela segunda vez em duas semanas, reunião que definiria composição da nova executiva estadual. Foto: Willian Dias/ALMG

As divergências no PT de Minas Gerais permanecem. Por isso, a presidente estadual da legenda, a deputada estadual Leninha, anunciou nesta sexta-feira (19) que a reunião convocada para eleger a nova comissão executiva da sigla, marcada para este sábado (20), está adiada. Não há nova data para o encontro.

É o segundo adiamento da reunião. A agenda chegou a ser convocada para o sábado passado (13), mas o impasse também gerou o cancelamento.

Ainda não há consenso entre as diferentes correntes da legenda para a divisão dos cargos diretivos. Uma liderança petista disse a O Fator que, apesar de seguidas conversas, as divergências não foram superadas.

“Ainda sem fumaça branca”, resumiu, sob reservas.

Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, o grupo do deputado federal Reginaldo Lopes não aceita a proposta de composição paritária, baseada na proporção dos votos recebidos por cada chapa.

No PT, a presidência e o diretório são eleitos de forma separada para garantir dois níveis distintos de legitimidade. O ocupante da presidência fica com a função política e a missão de liderar articulações externas, enquanto a comissão executiva assegura a representação proporcional das correntes internas.

A justificativa é preservar a democracia partidária, evitando que a maioria que conquista a presidência controle automaticamente todos os espaços. Essa equação permite a participação das minorias na legenda. Na prática, contudo, a divisão também abre espaço para disputas sobre cargos estratégicos — como vem acontecendo em Minas.

Divisão aritmética ou política?

Embora a Leninha tenha sido eleita presidente do PT-MG, o grupo de Reginaldo Lopes conseguiu a maioria dos votos na eleição do diretório: 53% a 47%. A nova disputa é se a divisão deve ser aritmética ou negociada politicamente.

Como noticiado anteriormente, a tesouraria possivelmente será ocupada pelo deputado federal Miguel Ângelo, o que contemplaria o grupo de Lopes, ainda que indiretamente.

Já a segunda indicação na executiva caberia diretamente ao campo de Lopes, que poderia escolher entre a secretaria-geral ou a secretaria de Organização. O terceiro cargo seria destinado ao grupo da deputada Leninha, que herdaria a secretaria não escolhida. A quarta posição retornaria ao grupo de Lopes, enquanto a quinta ficaria novamente com a ala de Leninha. O restante dos cargos seria dividido para completar a composição do comitê.

Rigidez

A crítica feita por interlocutores é que o grupo de Lopes estaria atuando de forma mais rígida, tentando consolidar a direção em bloco fechado. Essa postura, segundo fontes, engessa a dinâmica interna: em vez de permitir margens de negociação em votações futuras, os blocos fixariam a correlação de forças em 53% contra 47%, sem espaço para variações.

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