Após defender correligionários que votaram pela blindagem, tesoureira do PT silencia sobre atos de rua

Bancada petista na Câmara não encontrou unanimidade para derrubar proposta que amplia foro privilegiado dos parlamentares
gleide andrade
Mineira foi reconduzida este ano ao cargo de secretária nacional de Finanças do PT. Foto: Roberto Stuckert Filho

Tesoureira da direção nacional do PT, a mineira Gleide Andrade se esquivou de comentar os atos de rua que aconteceram no domingo (21) para criticar a aprovação, na Câmara dos Deputados, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da blindagem. Na semana passada, Gleide defendeu os 12 deputados federais petistas que votaram favoravelmente à proposta.

A O Fator, a assessoria de imprensa de Gleide informou que ela não vai tecer comentários públicos a respeito das manifestações contrárias à PEC.

Ao justificar o voto dos correligionários que se posicionaram pela aprovação do texto, a dirigente afirmou que eles seguiram “uma orientação” e pediu solidariedade ao grupo. Posteriormente a defesa aos colegas, Gleide publicou stories no Instagram defendendo os atos de rua contra a PEC.

“A primeira coisa que temos que ser é justos com a história e com as pessoas. Os 12 que votaram, votaram porque seguiram uma orientação. E no meio do caminho, alguns, quando viram a repercussão nas redes, voltaram para trás. Esses 12 estão sendo crucificados. Está todo mundo em cima deles. Porque a impressão que fica é que eles votaram em causa própria, e não é. Tanto não é que no outro dia votaram a PEC da Anistia”, falou, por meio das redes sociais.

Três dos 10 representantes do PT mineiro na Câmara dos Deputados votaram “sim” à PEC no primeiro turno: Leonardo Monteiro, Odair Cunha e Paulo Guedes. No segundo turno, Monteiro mudou de lado e opinou pela rejeição à matéria.

O que diz a PEC?

A versão da PEC da blindagem encaminhada ao Senado Federal mantém o Supremo Tribunal Federal (STF) como instância adequada para o julgamento de congressistas, mas estende o foro privilegiado a presidentes de diretórios nacionais de partidos políticos com representação no Legislativo Federal.

O texto ainda define que somente o STF, poderá impor medidas cautelares contra parlamentares, retirando essa possibilidade de juízes de instâncias inferiores.

Em relação à prisão, a Constituição já limita a detenção de parlamentares a casos de flagrante por crime inafiançável. A PEC, no entanto, vai além: reforça a imunidade ao exigir autorização prévia da respectiva Casa Legislativa para que um parlamentar possa ser processado criminalmente. Nesses casos, caberá aos colegas decidir, em voto secreto, não só sobre a manutenção da prisão, mas também sobre a abertura da ação penal no STF.

A proposição também altera as regras de suspensão de processos. Hoje, a maioria simples pode interromper uma ação por até 45 dias. Pela nova redação, será necessária autorização expressa do Congresso, por maioria absoluta e em votação secreta, em até 90 dias após a ordem do Supremo. Caso a autorização seja negada, o processo ficará suspenso até o fim do mandato.

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