Justiça quebrou sigilo bancário do ex-atacante Deivid durante investigações da Operação Rejeito

Ex-jogador de futebol não foi alvo da operação, mas é citado no inquérito como possível laranja dos chefes do esquema ilegal
Além do ex-atacante, outras dezenas de pessoas e empresas também tiveram o sigilo quebrado. Foto: Divulgação

A Justiça Federal quebrou o sigilo bancário do ex-jogador de futebol Deivid de Souza durante as investigações que culminaram na Operação Rejeito, que apura um esquema de fraudes em licenciamento ambiental e corrupção em Minas Gerais. O ex-atleta, que defendeu clubes como Flamengo, Santos e Cruzeiro, é suspeito de, segundo a Polícia Federal (PF), atuar como um dos laranjas utilizados no esquema para ocultar a propriedade real de empresas envolvidas no caso. Deivid não foi alvo da operação deflagrada na última quarta-feira (17), mas é citado no inquérito.

Após pedido da PF, a 3ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte deferiu, no início deste ano, a quebra do sigilo bancário de Deivid no período entre 20 de dezembro de 2019 e 20 de dezembro de 2024. Além do ex-atacante, outras dezenas de pessoas e empresas tiveram o sigilo quebrado.

Segundo o relatório da PF, entre 2020 e 2024, o grupo investigado expandiu uma rede de empresas de fachada controladas pelos líderes do esquema: Alan Cavalcante, João Alberto Lages e Helder Adriano. A Polícia Federal identificou 42 pessoas jurídicas vinculadas ao grupo, que supostamente recrutaria laranjas para figurarem como sócios e administradores das companhias.

Deivid aparece no relatório policial como sócio da Foco Participações de Empresas. A empresa possui participação societária na Irontech Mineração, integrando, de acordo com a PF, a teia de companhias controladas pelo núcleo central do suposto esquema criminoso.

Segundo os investigadores, essas pessoas serviam para mascarar o real controle das empresas pelos três líderes da organização (Alan, João Alberto e Helder).

Movimentação de recursos

Ainda segundo a investigação, o grupo criava empresas base para obtenção fraudulenta de licenças ambientais e exploração minerária criminosa. Outras companhias funcionavam como canais de passagem de recursos para beneficiar o trio de líderes, enquanto algumas operavam como holdings para blindagem patrimonial.

A organização também constituía empresas em nome de laranjas para saques de valores destinados ao pagamento de agentes públicos. As vantagens indevidas eram depositadas em contas de pessoas jurídicas dos próprios servidores corrompidos e de seus familiares.

O modus operandi incluía confusão patrimonial entre as empresas de fachada, com participações societárias cruzadas que dificultavam a fiscalização e permitiam a movimentação de recursos até a destinação final dos valores em benefício dos líderes.

Operação Rejeito

A Operação Rejeito investiga corrupção e fraudes no licenciamento ambiental em Minas Gerais, envolvendo empresários da mineração e servidores públicos. As investigações abrangem a Fundação Estadual do Meio Ambiente, a Agência Nacional de Mineração, o Iphan-MG, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o Conselho Estadual de Política Ambiental e o Instituto Estadual de Florestas.

As apurações revelam que projetos minerários avançavam mediante pagamento de propina e manipulação de processos administrativos. Empreendimentos em áreas sensíveis, como a Serra do Curral e a Serra do Botafogo, em Ouro Preto, obtiveram licenças com base em atos administrativos sem validade legal.

A Polícia Federal estima que os projetos vinculados ao grupo criminoso poderiam gerar ganhos ilícitos de aproximadamente R$ 18 bilhões.

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