Transformando dívidas em mais saúde para a população

Bandeira do SUS
SUS enfrenta desafios históricos; por isso, soluções inovadoras são essenciais. Foto: Rafaela Ribeiro/CMBH

A saúde pública é um dos principais pilares para garantir qualidade de vida e cidadania. Em Belo Horizonte, sabemos que o Sistema Único de Saúde enfrenta desafios históricos: filas longas, acesso limitado a exames e procedimentos especializados e, muitas vezes, a incapacidade de atender à crescente demanda da população. Diante desse cenário, é fundamental propor soluções inovadoras e concretas, capazes de transformar problemas em oportunidades.

Recentemente, realizei uma audiência pública na Câmara Municipal para debater as dívidas de hospitais privados com o município, que somam aproximadamente R$ 170 milhões. Esse montante representa não apenas um passivo financeiro, mas também uma oportunidade inédita: convertê-lo em atendimentos médicos e serviços de saúde para os cidadãos que dependem do SUS. A proposta é simples e de grande impacto. Permitir que parte dessas dívidas seja quitada por meio de consultas, exames e procedimentos realizados nos próprios hospitais, direcionados à rede pública. Não se trata de perdão fiscal, mas de uma forma inteligente de colocar a capacidade instalada da rede privada a serviço da população.

Essa iniciativa se soma a outra ação concreta do nosso mandato na área da saúde: o mutirão de cirurgias de endometriose realizado no Hospital da Baleia. Nos primeiros seis meses deste ano, 60 procedimentos foram realizados, devolvendo qualidade de vida e esperança a mulheres que sofriam há anos com dores intensas e complicações da doença. Esse resultado mostra, na prática, como medidas bem estruturadas conseguem gerar entregas reais para a população, reduzindo filas, ampliando a oferta de procedimentos especializados e utilizando, de forma estratégica, a capacidade instalada da rede hospitalar.

Do ponto de vista analítico, essas duas frentes – a conversão de dívidas em atendimentos e os mutirões cirúrgicos – representam um modelo de atuação que integra planejamento fiscal, gestão hospitalar e política pública. Ao criar mecanismos para transformar recursos ociosos em serviços de saúde, é possível aumentar a eficiência, ampliar o acesso a procedimentos críticos e reduzir o tempo de espera para pacientes em condições delicadas, como aqueles que necessitam de cirurgias complexas ou tratamentos especializados. Além disso, a articulação entre Legislativo, Executivo e hospitais privados estabelece parâmetros claros para monitoramento, mensuração de resultados e responsabilização, permitindo avaliar impactos e ajustar estratégias sempre que necessário.

Essas ações demonstram que a gestão pública pode, sim, combinar responsabilidade fiscal com efetividade operacional, transformando passivos financeiros em resultados concretos para a população. Em Belo Horizonte, estamos mostrando que é possível avançar em políticas públicas de saúde que não ficam apenas no discurso, mas entregam serviços tangíveis e de qualidade. A experiência comprova que, com planejamento e coordenação, é possível reduzir desigualdades de acesso, otimizar recursos e fortalecer o SUS de forma sustentável – com impacto real na vida das pessoas.

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