Indústria mineira recua 0,2% em agosto por queda da atividade extrativa

Manutenção da política monetária contracionista eleva o custo do crédito, desestimula o consumo e limita o investimento
A produção industrial mineira apresenta desempenho inferior ao nacional em diferentes bases de comparação. Foto: Agência Brasil

A produção industrial de Minas Gerais registrou queda de 0,2% em agosto contra julho, desempenho que ficou abaixo da indústria brasileira, que avançou 0,8% no período. A retração mineira foi determinada pelo recuo de 6% da indústria extrativa, que superou o crescimento de 0,5% da indústria de transformação.​

A análise da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) aponta que a política monetária contracionista eleva o custo do crédito, desestimula o consumo das famílias e limita o investimento produtivo, restringindo setores como máquinas, aparelhos e materiais elétricos e minerais não metálicos.​

A indústria extrativa mineira apresentou contração de 6% em agosto na comparação mensal, sendo o fator determinante do desempenho negativo do parque industrial do estado. No acumulado de janeiro a agosto, o setor acumula queda de 1,1% em relação ao mesmo período de 2024.​

Na base interanual, a atividade extrativa recuou 9,3% em agosto de 2025 contra agosto de 2024, resultado que contribuiu decisivamente para a retração de 4,8% da produção industrial mineira no período.​

A indústria de transformação cresceu 0,5% em agosto contra julho, movimento sustentado pelo peso de apenas três das 13 atividades pesquisadas. O setor de derivados do petróleo e biocombustíveis liderou com expansão de 11,9%, seguido por produtos de metal (2,6%) e metalurgia (1,8%).​

Entre as dez atividades que apresentaram recuo, exerceram maior pressão negativa os segmentos de máquinas e equipamentos (-9,6%), alimentos (-1,2%) e veículos automotores (-3,3%).​

Acumulado

No período de janeiro a agosto de 2025, a produção industrial mineira registrou avanço de 0,4% em relação aos mesmos meses de 2024. O resultado refletiu o crescimento de 1% da indústria de transformação, contrabalanceado pela retração de 1,1% da indústria extrativa.​

Na indústria de transformação, sete atividades registraram crescimento no acumulado, com destaque para veículos (14,4%), produtos químicos (8%) e metalurgia (1,5%). Seis atividades apresentaram recuo, sendo as de maior impacto derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,7%), materiais elétricos (-10,6%) e minerais não metálicos (-5,4%).​

Comparação

Na comparação entre agosto de 2025 e agosto de 2024, a produção industrial mineira contraiu 4,8%. O desempenho foi influenciado tanto pela indústria extrativa, com queda de 9,3%, quanto pela indústria de transformação, que recuou 3%.​

Das 13 atividades da indústria de transformação, 10 registraram retração interanual. As principais influências negativas vieram de materiais elétricos (-24,2%), derivados do petróleo e biocombustíveis (-3,9%) e produtos químicos (-6,7%). As atividades com variações positivas foram papel e celulose (22,1%), alimentos (0,6%) e metalurgia (0,4%).​

Cenário macroeconômico pressiona setores

A Fiemg identifica que os resultados de agosto reforçam perspectivas de crescimento moderado da indústria de Minas Gerais em 2025. A entidade aponta que a manutenção da política monetária contracionista tem restringido o desempenho de setores produtivos importantes da indústria mineira.​

O contexto de crédito com custo elevado afeta particularmente máquinas, aparelhos e materiais elétricos – segmento que inclui bens duráveis – e minerais não metálicos, setor vinculado à dinâmica da construção civil.​

No âmbito externo, a Fiemg destaca que os avanços no diálogo entre os governos brasileiro e norte-americano representam um passo relevante, ainda que marcado por incertezas. A federação aponta a necessidade do amadurecimento de propostas concretas com relação às tarifas dos Estados Unidos que afetam setores estratégicos para Minas Gerais.​

Minas abaixo da média nacional

A comparação com o desempenho nacional mostra que Minas Gerais ficou abaixo da média brasileira em todas as bases de comparação. Na variação mensal, enquanto o estado recuou 0,2%, o Brasil cresceu 0,8%. No acumulado do ano, Minas Gerais avança 0,4% contra 0,9% do país. Na comparação interanual, o estado registra queda de 4,8% contra retração de 0,7% da indústria brasileira.​

Os dados são baseados na Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, que considera apenas os segmentos extrativo e de transformação, excluindo construção, saneamento e energia.​

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