As articulações do vereador belo-horizontino Pablo Almeida (PL) para instalar, na Câmara Municipal (CMBH), uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a fim de apurar a situação dos imóveis alugados pela prefeitura, devem encontrar resistência entre parte dos parlamentares. O Fator apurou que a consolidação da base aliada ao prefeito Álvaro Damião (União Brasil) tende a impedir que Pablo consiga as 14 assinaturas necessárias para o início dos trabalhos da CPI.
Há duas semanas, os aliados de Damião angariaram 30 votos e conseguiram rejeitar, em plenário, o projeto que previa a adoção de tarifa zero no sistema de ônibus da cidade. Mesmo vereadores que, no início do ano, assinaram o projeto de lei sobre o tema, mudaram de posição e opinaram pela reprovação da proposta.
A resistência à CPI também se dá pelo fato de Pablo ser integrante de uma corrente política ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao deputado federal Nikolas Ferreira, o que, por si só, dificulta a interlocução do vereador com a bancada de esquerda.
Vereador defende CPI
Procurado pela reportagem, Pablo Almeida afirmou que a mobilização pela instalação da CPI começou por causa de uma audiência pública ocorrida no mês passado. À ocasião, segundo o parlamentar, o Executivo municipal não soube informar quantos imóveis estão alugados pela administração e tampouco em que condições estão os contratos de cessão.
De acordo com Pablo, diferentes secretarias da prefeitura emitiram pareceres dando conta de que o Executivo mantém contratos referentes a um volume entre 5 mil e 10 mil imóveis.
“Vejo um movimento de insatisfação da Câmara com a Prefeitura. Vejo várias demandas que não estão sendo atendidas e vereadores que estão sendo escanteados pela gestão municipal em suas regiões de atuação. Vários parlamentares têm me procurado desde ontem com o entendimento de que esta CPI é fundamental para dar transparência ao gasto público e, assim, dar uma resposta à população”, afirmou.