A mesma postura crítica que elegeu Cleitinho agora incomoda colegas no Congresso

Conduta de confronto também tem atrapalhado articulações políticas sobre o governo de Minas
Cleitinho
Críticas a todos os lados deixam Cleitinho sem apoio no Senado. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A postura crítica do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), a mesma que o projetou nas redes sociais e o levou da Assembleia Legislativa de Minas à cadeira no Senado, nas eleições de 2022, tem causado desconforto entre colegas.

As declarações recentes sobre a PEC da blindagem ampliaram um incômodo que já existia, mas vinha sendo ignorado, e provocaram o afastamento até de parlamentares de direita que antes mantinham relação próxima com o mineiro.

“Vamos nos blindar, vossas excelências? Que medo é esse? A população brasileira não aceita isso. Até quando a gente vai envergonhar o povo brasileiro? Quem não deve, não teme nada”, afirmou Cleitinho, no mês passado, durante a tramitação da proposta no Congresso.

O texto ampliava a proteção parlamentar contra prisões e medidas cautelares. A proposta foi aprovada pela Câmara, mas acabou arquivada no Senado. Segundo interlocutores ouvidos por O Fator, a avaliação é de que, às vésperas de um ano eleitoral, as falas de Cleitinho “não contribuem”.

Nos bastidores do Legislativo, há quem reconheça que o estilo direto do parlamentar ajuda a manter sua base nas redes sociais, mas também cria atritos desnecessários. A percepção é de que a “espontaneidade excessiva”, em determinados momentos, traz ônus às relações internas da Casa.

Um senador com décadas de atuação no Congresso afirma que o tratamento mais reservado dado ao mineiro tem, em parte, o objetivo de “educá-lo politicamente”, para conter os excessos e evitar que o comportamento se torne recorrente.

Governo de Minas

Como mostrou O Fator, a fala do parlamentar sobre a PEC também repercutiu nas articulações ao governo de Minas em 2026. O senador é pré-candidato ao comando do estado e, segundo fontes ouvidas pela reportagem, o episódio teria acentuado o distanciamento entre ele e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Nikolas, que votou favoravelmente à proposta, teria se queixado de que as críticas do senador ampliaram seu desgaste político em Minas. Cleitinho, por sua vez, nega qualquer desentendimento: “O povo que fala demais. Pode até ter havido insatisfação de alguns deputados comigo, como vi pela imprensa, mas eu com ele é mentira”.

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