Prodígio dos políticos TikTokers – categoria nascida com a onipresença e onipotência das redes sociais -, gente intelectualmente despreparada, que encontrou no sensacionalismo político e no falso moralismo uma maneira fácil de ganhar a vida, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) é um fenômeno de votos e de likes, ainda que os fatos, ou seja a realidade, insistam em qualificá-lo como o que é: um político totalmente improdutivo.
Como ele, mas em patamar inferior, muitos pelo Brasil. Em Minas, porém, um “rival de peso”, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), também um político escorado muito mais nas imagens do que nos atos, com uma diferença: Cleitinho de fato “corre atrás” das pautas sensacionalistas que produz. Se, ao final, resultam em ganhos à nação, são outros quinhentos. Mas é verdade que ele, além de gravar e divulgar vídeos, ao menos tenta.
Nikolas foi eleito deputado federal com quase 1.5 milhão de votos em 2022. Cleitinho, no mesmo ano, colheu espantosos mais de 4.2 milhões de votos. Dois titãs eleitorais, sem dúvida. Mais ainda: dois titãs digitais. Porém, rasos como pires e disputando o mesmo eleitorado, um dia, caso optem pelo mesmo cargo, “dará chabu”. Ou: já está dando! Os dois parlamentares andam se estranhando veladamente – e não tão veladamente.
Cada um no seu quadrado
Cleitinho – e isso é um mérito – reconhece suas limitações, digamos intelectuais e culturais. Atenção: isso não o torna pior ou inferior a ninguém. Já Nikolas se enxerga como “estudado”, como alguém preparado inclusive para o magistério. O radical bolsonarista ministra cursos na internet e colhe muito sucesso na empreitada empresarial. Para tanto, gasta fortunas com impulsionamento nas redes sociais, segundo matérias recentes.
Talvez, por isso, Nikolas nutra um certo desdém pelo colega e o trate de forma pouco prestigiosa, fato que começa a incomodar Cleitinho, conforme publicou o próprio O Fator. Como vem mostrando de forma inequívoca Eduardo Bolsonaro, prepotência e soberba são traços comuns aos messiânicos do bolsonarismo. Nikolas, provavelmente, se reconhece como uma espécie de divindade política. Cleitinho, portanto, que se ajoelhe aos seus pés.
Minas caminha para uma eleição extremamente perigosa em 2026. Após a recuperação da hecatombe deixada pelo ex-governador Fernando Pimentel (PT), o estado não pode retroceder. A escolha do novo governo passará ou pelo apoio ou pela participação direta de Cleitinho e de Nikolas. Espero, sinceramente, que se resuma à primeira opção, pois fundamentais em uma construção política que garanta o não retorno ao passado. Mas só.