Nenhuma cidade de Minas Gerais figura na lista das 20 com maior desenvolvimento agropecuário do Brasil, segundo o Índice de Desenvolvimento da Agropecuária Municipal (Idam) 2025, elaborado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM). Em 2024, Unaí, no Noroeste, aparecia em 12º lugar. O levantamento mostra, ainda, que o estado registrou queda de 4,5% entre 2016 e 2025, passando de 0,4234 para 0,4043 no período.
Entre 2024 e 2025, o índice ficou estável em Minas, sem recuperação das perdas acumuladas desde 2016.
O Idam varia de 0 (muito baixo) a 1 (muito alto). Ele é calculado a partir de quatro dimensões: produção e produtividade, emprego formal no campo, crédito rural e arrecadação do Imposto Territorial Rural (ITR).
Embora Minas seja reconhecida pela diversidade e peso econômico do agronegócio, o desempenho médio dos 853 municípios mineiros ficou abaixo da média nacional (0,4077) e caiu em ritmo semelhante ao da região Sudeste, que recuou 6,3% na década.
Os melhores resultados estão concentrados na Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Piauí, estados que abrigam os 20 municípios mais desenvolvidos segundo o Idam. A lista é liderada por São Desidério (BA), Mineiros (GO) e Canarana (MT).
Desempenho regional
No Sudeste, entre 2016 e 2025, a retração foi puxada pelas quedas nas dimensões produção (-8,1%) e arrecadação (-11,9%), com leve alta em crédito (0,2%) e emprego (0,8%).
Apesar da queda de 4,5% em Minas, o estado apresentou melhor resultado do que os demais da região. São Paulo caiu 6,9%, Espírito Santo recuou 9,5% e Rio de Janeiro despencou 17% na mesma base de comparação.
Pequenos municípios sentem mais o impacto
O estudo aponta que o porte populacional influencia diretamente no desempenho agropecuário. Cidades maiores tiveram crescimento no Idam de 1,8% entre 2024 e 2025, impulsionadas por um aumento de 15% na arrecadação municipal do Imposto Territorial Rural (ITR) e pela maior capacidade de captação de crédito rural.
Já os pequenos municípios — perfil predominante em Minas, onde mais de 500 têm menos de 10 mil habitantes — registraram queda média de 0,4% no mesmo período, afetados pela retração nas dimensões crédito, produção e arrecadação.
Cenário nacional
O Idam aponta para fortes contraste regionais desde 2016. Centro-Oeste (+10,4%) e Norte (+13,7%) apresentaram crescimento contínuo, enquanto Sudeste (-6,3%) e Sul (-2,2%) tiveram retração.
O avanço nas regiões de expansão agrícola reflete o aumento da captação de crédito rural e da arrecadação do ITR, segundo a CNM.