O bem que farão, um ao outro, Mateus Simões e PSD

Além de ampliar significativamente sua base de apoio, o vice-governador se descola do Novo, legenda ligada ao bolsonarismo
Mateus e Kassab
O vice-governador, Mateus Simões, e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Foto: Divulgação

Não era segredo para ninguém que o vice-governador de Minas, Mateus Simões, e Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, conversavam há pelo menos dez meses sobre uma composição entre ambos, com vistas às eleições de 2026.

No plano nacional, o ideal seria o governador mineiro, Romeu Zema, compor uma chapa com seu colega paranaense, Ratinho Júnior (PSD), na impossibilidade de um voo solo pelo partido Novo, legenda sem grande capilaridade nacional.

Para o estado, a ideia é Kassab convencer – com o apoio de Tarcisio de Freitas, governador de São Paulo de quem é secretário – o senador Cleitinho Azevedo, também do Republicanos, a não entrar na disputa pelo Tiradentes.

Ganha-ganha

Em troca, a vaga de candidato a vice-governador poderá ser ocupada por um nome de consenso entre os partidos e os políticos envolvidos. Cássio Soares, presidente do PSD em Minas, sempre foi entusiasta e articulador do processo.

A resistência se dava por parte de alguns caciques do partido, notadamente o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e também o senador Rodrigo Pacheco, ambos especulados candidatos ao Senado e ao próprio governo.

Pacheco, contudo, pode migrar para outra legenda, provavelmente o MDB, caso decida concorrer ao governo do estado. Sua vontade, porém, é ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Equilíbrio partidário

Já Silveira, que pode, inclusive, disputar o governo – apoiado pelo presidente Lula – caso Pacheco de fato não se candidate, teria como opção o PSB, presidido em Minas pelo prefeito de Conceição do Mato Dentro, Otacílio Neto (Otacilinho).

Todas as pesquisas indicam que as eleições majoritárias serão decididas pelos votos de centro. Com as chamadas polarização e calcificação dos eleitores, será a parcela, estimada em 54% dos aptos a votar, segundo a Quaest, o fiel da balança.

Neste sentido, mais que oportuna a ida de Mateus Simões para o PSD, partido de centro-direita, “não inimigo” do governo federal e aliado de administrações pelo Brasil. Lembrando que é o partido com o maior número de prefeituras pelo país.

Força eleitoral

Além de ampliar significativamente sua base de apoio, o vice-governador se descola do Novo, legenda umbilicalmente ligada ao bolsonarismo, e poderia, assim, ser visto de forma ainda mais positiva pelo eleitorado moderado.

Ato contínuo, o PSD recebe um político altamente técnico e qualificado, que traz novos ares à legenda, que pode perder importantes quadros pela movimentação acima. Sem contar, obviamente, com a real possibilidade de governar o estado.

A alta aprovação de Zema e a presença de Mateus no comando do Executivo estadual, a partir de março de 2026, somadas à força do PSD, traz favoritismo à chapa, que deverá disputar o governo contra um candidato de Lula.

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