MPF vai investigar contratos assinados por pai e filha para fornecer alimentos a prefeitura de Minas

Segundo denúncia, produtos vendidos como da agricultura familiar seriam adquiridos no comércio local
Instauração do inquérito civil consta em ato publicado no Diário Oficial do órgão nesta terça-feira (28). Foto: Divulgação / Prefeitura de Santa Rita de Ibitipoca

O Ministério Público Federal (MPF) vai investigar uma possível fraude em contratos firmados pela Prefeitura de Santa Rita de Ibitipoca, na Zona da Mata de Minas Gerais, para o fornecimento de alimentos usados no preparo da merenda escolar. A suspeita é que duas pessoas jurídicas distintas, administradas por pai e filha, tenham sido contratadas simultaneamente a fim de burlar o limite individual de repasses a um mesmo fornecedor imposto pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

A instauração do inquérito civil consta em ato publicado no Diário Oficial do órgão nesta terça-feira (28).

De acordo com o relato encaminhado ao MPF, os alimentos entregues “têm sido vendidos como se fossem da agricultura familiar”, mas, na prática, os fornecedores “nada plantam”, comprando os produtos em supermercados locais.

A portaria de instauração é assinada pelo procurador da República Marcelo Borges de Mattos Medina. O MPF já solicitou cópias dos contratos firmados com os investigados — José Fernando dos Reis Miranda e Alessandra Aparecida do Nascimento Miranda —, além dos processos administrativos de acompanhamento, notas de empenho, notas fiscais e ordens de pagamento.

A apuração tramita na Procuradoria da República em Juiz de Fora e foi comunicada à 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, responsável pela área de combate à corrupção e improbidade administrativa.

As regras do PNAE

A investigação ocorre em meio a mudanças recentes no PNAE — política federal que garante merenda a estudantes da educação básica pública e incentiva a compra de produtos da agricultura familiar.

Pela legislação atual, 30% dos recursos do programa devem vir da agricultura familiar, percentual que será ampliado para 45% em 2026, conforme lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no início de outubro.

A norma também passou a exigir que as prefeituras priorizem assentamentos da reforma agrária, comunidades indígenas, quilombolas e grupos de mulheres nas chamadas públicas de compra.

O Fator procurou a Prefeitura de Santa Rita de Ibitipoca para comentar o caso. O espaço segue aberto.

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