GPA registra lucro de R$ 137 milhões e volta a operar no azul

O grupo, que registrou prejuízo de R$ 216 mi no segundo trimestre, quer simplificar as operações, cortar custos e investimentos
Grupo GPA é dono das redes Pão de Açúcar e Extra; também possui marcas próprias, como a Qualitá. Foto: Divulgação/GPA

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) — dono das redes Extra e Pão de Açúcar — voltou a operar no azul no terceiro trimestre de 2025, registrando lucro líquido de R$ 137 milhões, um contraste com o prejuízo de R$ 310 milhões no mesmo período de 2024. No trimestre passado, o prejuízo foi de R$ 216 milhões.

O GPA é controlado pela família mineira Coelho Diniz, de Governador Valadares, e possui o quinto maior faturamento entre as redes supermercadistas do Brasil, segundo ranking da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O resultado foi divulgado na noite de terça-feira (4).

Quando analisadas apenas as operações continuadas, ou seja, as que não foram vendidas ou encerradas, o lucro foi de R$ 145 milhões, contra prejuízo de R$ 252 milhões apurado no mesmo trimestre de 2024.

Créditos tributários e alta nas vendas

A reversão, conforme a apresentação de resultados da companhia, foi impulsionada principalmente pelo reconhecimento de R$ 418 milhões em créditos tributários de prejuízos fiscais acumulados de anos anteriores. 

As vendas nas mesmas lojas também contribuíram para o resultado positivo. Elas cresceram 4,1% no período. A rede Extra apresentou alta de 5,5% e o Pão de Açúcar, 3,5%. A aposta do grupo, de investir em formato de proximidade, que inclui lojas menores, de bairro, deu certo. O modelo registrou elevação de 17,3% nas vendas totais.

Segundo o diretor-presidente Rafael Russowsky, o trimestre confirma “a consistência da estratégia e o foco em eficiência e rentabilidade, mesmo diante de um cenário competitivo e macroeconômico desafiador”.

Ele destacou que a companhia vem executando um plano de simplificação administrativa e redução de custos, com economia projetada de cerca de R$ 190 milhões anuais.

Seguindo a nova diretriz de conter a expansão e priorizar rentabilidade e eficiência, o grupo reduziu em 20% os investimentos neste trimestre, atingindo R$ 146 milhões, contra 182 em 2024.

Russowsky assumiu o posto interinamente em 22 de outubro, quando o ex-CEO, Marcelo Ribeiro Pimentel, renunciou. 

Ebitda

O Ebitda ajustado, que mede o resultado operacional antes de juros, impostos e depreciações, cresceu 3,4% em um ano, chegando a R$ 412 milhões, o que representa 9,1% da receita líquida.

Esse número ajuda a entender a diferença entre o desempenho das operações e o lucro final da empresa. Ou seja, embora o GPA tenha gerado R$ 412 milhões com suas atividades principais, o lucro líquido ficou em R$ 145 milhões, cerca de um terço desse valor. 

Isso significa que parte importante do que a companhia ganha nas operações é usada para pagar dívidas, impostos e outros custos financeiros. A proporção, no entanto, melhorou em relação ao terceiro trimestre de 2024, quando representou 8,9% da receita, atingindo R$ 399 milhões. 

Os Coelho Diniz

A família Coelho Diniz possui quatro dos nove assentos do Conselho de Administração do GPA, incluindo a presidência do colegiado, com André Coelho Diniz.

Desde agosto de 2025, a família de Governador Valadares é o principal acionista do GPA, com 24,5% das ações, superando o grupo francês Casino, que agora detém 22,5%. A mudança encerrou mais de uma década de comando francês no colegiado.

Além da economia, os Coelho Diniz têm forte atuação na política.

Alex Diniz, suplente do senador Cleitinho (Republicanos), é cotado para disputar um cargo no Executivo estadual em 2026.

Ele é irmão do deputado federal Hercílio Diniz (MDB-MG), que articula o apoio ao filho, Vinícius Diniz, para sucedê-lo na Câmara dos Deputados nas próximas eleições.

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