O espaço para outra via política

A Praça dos Três Poderes
Enquanto os extremos travam batalhas em torno de temas como gênero, costumes e liberdade de expressão, a maioria se preocupa com questões práticas e imediatas. Foto: José Paulo Lacerda/CNI

É lugar-comum dizer que o Brasil está polarizado entre petistas e bolsonaristas. Essa divisão beneficia os polos que a compõe e facilita a disputa ao alimentar as narrativas opostas. Mas também simplifica a “análise” dos precipitados, que cravam não haver espaço para outros discursos, seja por falta de conhecimento, criatividade ou interesses próprios.

Por ser útil para muitos, em especial aos candidatos a cargos legislativos, que se beneficiam dos algoritmos das redes, os extremos se retroalimentam propositalmente para reduzir a decisão. Ou você é a favor ou é contra, sem lugar para alternativas. Mas será mesmo? Analisando diagnósticos recentes é possível afirmar que não.

A pesquisa aprofundada realizada pela More in Common, inédita no Brasil, aponta que a polarização política no país, hoje, é menos acentuada do que alguns sugerem. O estudo segmentou a sociedade brasileira em grupos e revelou que os extremos do debate político são dominados por agendas específicas, na direita e na esquerda, representando 11% dos brasileiros. São a minoria, mas os mais barulhentos.

E enquanto outros 21% se dizem conservadores tradicionais e 14% esquerda convencional, a maioria, 54%, se mantêm afastados da política e raramente participam de debates públicos. Esses brasileiros “invisíveis” não se reconhecem nem na direita nem na esquerda, e preferem se manter distantes da polarização. A maioria dos brasileiros não milita, não se identifica com rótulos e evita o conflito. Essa desmobilização não é uma despolitização, mas um afastamento da política atual. Votam, mas dificilmente se envolvem em discussões que dominam as redes sociais e os noticiários. Formam a maioria silenciosa, cansada do embate ideológico da minoria escandalosa.

Enquanto os extremos travam batalhas em torno de temas como gênero, costumes e liberdade de expressão, a maioria se preocupa com questões práticas e imediatas: saúde, segurança e custo de vida. E é justamente nesse vácuo que outras candidaturas podem surgir e crescer. Para tanto, não basta falar o mesmo que outros falam, nem adianta repetir formas que outros já usaram.

Em um ecossistema saturado de personas fabricadas, vídeos meticulosamente elaborados e discursos que soam todos iguais, a maioria busca por qualidades raras ultimamente: quem não imite os símbolos do poder, mas sim os construa, rompendo padrões a partir da realidade cotidiana com autenticidade e pertencimento. Partidos e candidatos que entenderem isso, poderão ocupar o espaço que existe e ainda está em aberto.

Baiano de Salvador, é economista, jornalista, Mestre em Comunicação e Sociedade pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Gestão Pública pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), especialista em Comunicação Política pela Asociación Civil Estudios Populares de Argentina (ACEP), com aprimoramentos em estratégia política na The Graduate School of Political Management (George Washington University). Trabalhou na Presidência da República durante dois mandatos e participa há mais de 20 anos nos níveis estratégicos de campanhas eleitorais e planejamentos de comunicação legislativa e governamental em todo o Brasil. As recentes de maior sucesso foram as eleições à presidência da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e as duas vitórias ao Governo de Minas, coordenando a campanha do governador Romeu Zema, que em 2018 saiu de 2% de intenções para 72% de votos. E em 2022, novamente com a coordenação da STRATTEGY, venceu a reeleição ainda no 1º turno. Vencedor de premiações nacionais e internacionais que destacaram os trabalhos desenvolvidos pelos resultados alcançados com originalidade, criatividade e diferenciação na comunicação política, eleitoral e governamental.

Baiano de Salvador, é economista, jornalista, Mestre em Comunicação e Sociedade pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Gestão Pública pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), especialista em Comunicação Política pela Asociación Civil Estudios Populares de Argentina (ACEP), com aprimoramentos em estratégia política na The Graduate School of Political Management (George Washington University). Trabalhou na Presidência da República durante dois mandatos e participa há mais de 20 anos nos níveis estratégicos de campanhas eleitorais e planejamentos de comunicação legislativa e governamental em todo o Brasil. As recentes de maior sucesso foram as eleições à presidência da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e as duas vitórias ao Governo de Minas, coordenando a campanha do governador Romeu Zema, que em 2018 saiu de 2% de intenções para 72% de votos. E em 2022, novamente com a coordenação da STRATTEGY, venceu a reeleição ainda no 1º turno. Vencedor de premiações nacionais e internacionais que destacaram os trabalhos desenvolvidos pelos resultados alcançados com originalidade, criatividade e diferenciação na comunicação política, eleitoral e governamental.

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