Os preços de um jantar de adesão organizado pelo PT de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), deixaram petistas e outros cargos comissionados da prefeitura espantados. Segundo o convite para o evento, secretários da prefeitura teriam de pagar R$ 1 mil para participar do convescote.
Os ingressos eram divididos em três categorias, conforme a remuneração dos convidados na gestão de Marília Campos (PT). Servidores comissionados com postos de salários mais baixos teriam de pagar R$ 300 para participar do jantar. Ocupantes de funções mais altas, mas ainda fora do primeiro escalão, precisariam desembolsar R$ 500.
Os convites não se restringiram a secretários e servidores filiados ao PT. Pessoas de outros partidos ou sem vinculação formal com legendas também foram chamados.
O evento, programado para 1° de dezembro, acabou cancelado. O adiamento do convescote aconteceu porque aliados de Marília pretendem sincronizar o jantar a uma nova agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Belo Horizonte. A petista cogita a possibilidade de se lançar ao Senado Federal.
Passando o bastão
Em meio à possibilidade de concorrer ao Senado, Marília reuniu o secretariado nessa quinta-feira (12), a fim de apresentar um balanço orçamentário e de ações do governo. Durante a exposição, fez ao vice-prefeito Ricardo Faria (PSD) uma indicação clara: caso venha a lhe passar o bastão da administração municipal, o Faria teria de manter a atual equipe do poder Executivo, já que se trataria de um governo de continuidade.
Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, Marília repetiu a sinalização diversas vezes durante a reunião.
Quando Ricardo Faria pegou o microfone, porém, “escorregou”. Limitou-se a dizer que “ninguém joga sozinho; é preciso ter time”.
Na avaliação de alguns presentes, ele evitou se comprometer com a manutenção da equipe.
