Por que o PT cogita reabrir ofensiva para convencer Marília a disputar o governo de Minas

Indefinição de Pacheco reacende pressão do partido por candidatura da prefeita de Contagem
A movimentação em torno de Marília, no entanto, esbarra em recentes recados da prefeita. Foto: Luci Sallum / PMC

As sinalizações dadas pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD) de que pode não concorrer ao governo de Minas Gerais no ano que vem têm feito com que lideranças do PT no estado defendam uma nova tentativa de convencer a prefeita de Contagem, Marília Campos, a considerar a ideia de disputar o Palácio Tiradentes no ano que vem.

A avaliação é que uma mudança de rota de Marília evitaria que o PT tivesse de dividir palanque novamente com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), cenário que parte da sigla gostaria de contornar.

Na semana passada, O Fator mostrou que Kalil demonstrou a aliados estar disposto a repetir a dobradinha com o PT. O novo trabalhista, contudo, deseja impor condições e evitar as estratégias adotadas em 2022, quando carregou os símbolos do partido e subiu em palanques ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Empecilhos

A movimentação em torno de Marília, no entanto, esbarra em recentes recados da prefeita. Na quinta-feira (18), por exemplo, durante reunião com o secretariado para apresentar balanços orçamentários e ações do governo, ela foi taxativa e afirmou que não pretende compor uma chapa para o Executivo estadual nem mesmo em caso de pedido expresso de Lula.

O mesmo posicionamento já havia sido manifestado à ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), em encontro realizado no fim de outubro, em Brasília (DF). Na ocasião, diante da sondagem sobre uma eventual candidatura ao governo, Marília indicou que, se participar da eleição do ano que vem, será pleiteando o Senado Federal.

Interlocutores do PT relatam que a abordagem de Gleisi foi vista como preliminar e sem a apresentação de argumentos mais robustos para tentar alterar a posição da prefeita.

Petistas explicaram que as novas investidas do partido por uma candidatura de Marília à sucessão de Romeu Zema (Novo) se orientarão nas mudanças recentes de postura da própria prefeita.

Um interlocutor ouvido por O Fator recorda que, antes de admitir a hipótese de disputar o Senado, a petista rechaçava qualquer candidatura em 2026. A esperança é que a brecha dada sobre a corrida à Casa Alta do Congresso Nacional possa se repetir mais à frente — dessa vez, para o governo do estado.

Lula se reúne com Pacheco

Nessa segunda-feira (17), Lula e Pacheco se reuniram no Palácio da Alvorada, na capital federal. Como O Fator mostrou, o encontro serviu para o presidente da República avisar formalmente o senador de que pretende indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Durante a conversa, o petista ainda reforçou o desejo de que Pacheco concorra ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. O senador, no entanto, não teria dado resposta

À CNN Brasil, nesta terça-feira (18), Pacheco relatou ter indicado a Lula a disposição de deixar a vida pública após encerrar o mandato no Senado. A decisão definitiva, contudo, só será tomada após conversas com aliados.

“Ele (Lula) respeitou a minha intenção de encerrar a vida pública ao final do meu mandato de senador, como já há algum tempo eu havia me programado. Essa decisão definitiva eu só posso tomar junto aos meus companheiros políticos, do Senado e de Minas Gerais”, pontuou.

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