Por que a candidatura de Cleitinho ao governo de Minas em 2026 é vista como incerta

Aliados apontam falta de alianças e cenário fiscal delicado como entraves à candidatura ao comando do estado em 2026
cleitinho azevedo
O senador mineiro Cleitinho Azevedo ainda não decidiu se vai disputar o governo de Minas. Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

Pessoas próximas ao círculo do senador Cleitinho (Republicanos) relatam nos bastidores que a candidatura dele ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026 ainda é incerta. Essa avaliação passa por diversos fatores, como construção de alianças políticas e até mesmo questões internas do parlamentar.

A avaliação é que a demora do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em definir se entraria na disputa e em oferecer qualquer indicação sobre alianças com Republicanos provocou um efeito direto no cálculo político do senador.

Como mostrou O Fator, houve um distanciamento de Cleitinho com o PL em função de seus posicionamentos políticos sobre temas que o partido era favorável, como a PEC da Blindagem.

Além disso, na última semana, a sinalização de Nikolas ao vice-governador mineiro e pré-candidato ao comando do estado, Mateus Simões (PSD), reforçou ainda mais a percepção do grupo político de que Cleitinho, neste momento, não contaria com o apoio de outras siglas da direita.

Simões afirma ter recebido indicativos de outras legendas, como União Brasil e partidos da centro-direita. De acordo com interlocutores, essa movimentação amplia o espaço político do vice-governador e pressiona ainda mais o senador na tomada de decisão.

Equação Euclydes

Fontes do PL ouvidas pela reportagem também relataram que já havia um “estresse” com o deputado federal e presidente do Republicanos em Minas, Euclydes Pettersen, sobre a formação de uma chapa. A análise era de que ele estaria acelerando o processo e dando declarações públicas que contrariaram nomes do partido de Jair Bolsonaro.

A situação piorou após Pettersen ser alvo da operação Sem Desconto, da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (AGU), que miram fraudes no INSS. Segundo a investigação, ele recebia valor mensal de propina da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).

Em troca, conforme a PF, o deputado fornecia “proteção política” à associação para impedir investigações contra a entidade. O parlamentar mineiro nega todas as acusações, mas as denúncias respigaram em seu aliado político. Parlamentares de PL e PSD afirmam que é melhor “manter distância”.

Questão financeira

Há também um elemento estrutural que pesa sobre as articulações. Cleitinho e outros nomes que avaliam disputar o governo ou o Senado demonstram preocupação com a herança fiscal de Minas Gerais. O estado carrega uma dívida bilionária com a União e enfrenta um conjunto de problemas financeiros que testam qualquer gestão futura.

A gestão de Romeu Zema (Novo) tem tentado aderir ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), mas encontra dificuldade nas contrapartidas com o governo federal e com a própria Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Perfil de Legislativo

Outro ponto levantado por aliados é o perfil do próprio Cleitinho, visto como um político com atuação típica do Legislativo. Internamente, há dúvidas sobre a capacidade de formação de uma base sólida na Assembleia Legislativa de Minas caso vencesse o pleito. Isso, segundo fontes ouvidas pelo O Fator, é uma preocupação dele próprio.

Apesar das incertezas, o senador não descarta nenhuma possibilidade. A principal “esperança” passa pela definição do PL, que depende de Jair Bolsonaro, sobre a escolha do nome que receberá seu aval para disputar o Palácio do Planalto.

Essas alianças ao nível nacional podem alterar os arranjos políticos nos estados, inclusive em Minas. Não há, no entanto, nenhum sinal de quando isso poderá ocorrer, principalmente após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de mantê-lo preso na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, após “risco de fuga” do ex-presidente.

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