O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve cumprir sua última agenda do ano em Minas Gerais nos dias 11 e 12 de dezembro, em Belo Horizonte. Além de participar da Caravana Federativa, que ocorrerá no Expominas, no bairro Gameleira, na região Oeste da capital, Lula também deve se reunir com lideranças do partido e de siglas aliadas para tratar da sucessão ao governo mineiro em 2026.
Segundo interlocutores ouvidos por O Fator, diante das divergências internas no PT mineiro e da indefinição sobre quem será o palanque do presidente na disputa estadual, o presidente pretende aproveitar a passagem pelo estado para conversas diretas.
O objetivo é sinalizar atenção ao eleitorado do segundo maior colégio eleitoral do país e tentar reduzir tensões entre os grupos locais. A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, deve acompanhar Lula nessas articulações.
O plano inicial do presidente era ver o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) como candidato ao governo de Minas. O parlamentar, no entanto, indicou que pode deixar a vida pública no fim do mandato, no ano que vem. O movimento foi reforçado após o presidente optar pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF).
Paralelamente, o PT tenta construir alternativas preocupado, principalmente, com a força política de Minas numa eleição para o Palácio do Planalto – desde a redemocratização, quem vence no estado, vence também no país. A prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), é cotada, mas já manifestou preferência por disputar o Senado.
Há ainda setores que defendem uma reaproximação com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT). Lula e Kalil não conversam desde as eleições de 2022, quando o ex-prefeito da capital mineira foi o candidato apoiado pelo presidente ao governo de Minas, mas perdeu para Romeu Zema (Novo) após uma campanha marcada por atritos entre o hoje pedetista e dirigentes petistas.
Tudo passa por Brasília
Fontes do PT nacional contaram à reportagem que, diante das disputas internas no estado, as definições sobre 2026 devem ficar majoritariamente sob condução da cúpula nacional. Esse movimento, como já mostrou O Fator, tem causado desconforto entre nomes mineiros. Seja com Pacheco, Kalil ou até mesmo Marília, a condução tem sido feita por caciques de Brasília.
Um exemplo disso acontece nesta semana, quando o presidente nacional do PT, Edinho Silva, estará em Belo Horizonte. Alguns integrantes da legenda no estado reclamaram de terem sido deixados de fora dos compromissos.
Na agenda do ex-prefeito de Araraquara, está marcada para esta terça-feira (25) um encontro com Kalil. Já na quarta-feira (26), Edinho terá um café da manhã com a direção estadual do PT, além dos deputados estaduais da sigla.
Caravana federativa
A Caravana, organizada pela Secretaria de Relações Institucionais, reúne gestores estaduais e municipais, além de representantes de entidades municipalistas, movimentos sociais e setor empresarial.
Olhando para 2026, o objetivo do evento que percorre o país aproximar o governo federal da base de lideranças estaduais. No evento, Lula e ministros também devem fazer anúncios de investimentos para o estado.
Agendas em Minas
Como O Fator mostrou, em 2023, Lula não esteve no estado e foi cobrado por aliados locais pela ausência. No ano seguinte, realizou cinco viagens, passando por seis cidades. Já em 2025, o presidente cumpriu sete agendas em Minas, que incluíram compromissos em dez municípios.
Veja abaixo quais foram as visitas de Lula a Minas Gerais:
2024
- Fevereiro: Belo Horizonte
- Março: Serra do Salitre
- Abril: Nova Lima
- Junho: Belo Horizonte, Contagem, Juiz de Fora
- Setembro: Uberlândia
2025
- Março: Campo do Meio
- Março: Betim e Ouro Branco
- Abril: Montes Claros
- Junho: Mariana e Contagem
- Julho: Minas Novas
- Agosto: Contagem e Montes Claros
- Setembro: Belo Horizonte