Quem é a companhia mexicana que comprou os aeroportos de Confins e Pampulha

Conhecida por gerir um dos maiores hubs do Caribe, empresa arrematou 17 terminais no Brasil e três no exterior
Os aeroportos de Confins e Pampulha estão entre os mais importantes do Estado. Foto: BH Airport/Divulgação

Uma das maiores administradoras de aeroportos do mundo, o Grupo Aeroportuario del Sureste (Asur) ganhou os holofotes ao anunciar, na última quarta-feira (19), a compra de 20 aeroportos da Motiva, antiga CCR. O pacote inclui os dois principais terminais de Minas Gerais, o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (BH Airport) e o Aeroporto da Pampulha.

Estão na negociação 17 hubs estratégicos no Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil, além de unidades na Costa Rica, Curaçao e Equador. A operação, avaliada em R$ 11,5 bilhões, ainda depende de aval da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e de autoridades concorrenciais.

Primeira em Nova York e Cidade do México

Fundada em 1996, na esteira das privatizações conduzidas pelo governo mexicano, a Asur nasceu da reorganização do sistema aeroportuário do país e rapidamente ganhou escala. 

Em 2000, abriu capital com uma oferta pública que colocou 74,9% das ações nas bolsas de Nova York e da Cidade do México, tornando-se o primeiro grupo aeroportuário do mundo a negociar simultaneamente nesses mercados. 

Quatro anos depois, tornou-se uma companhia totalmente privada. 

Hoje, a Asur opera 16 aeroportos no México, Colômbia e Porto Rico. Entre eles, o movimentado terminal de Cancún, ativo mais conhecido da companhia internacionalmente.

Portfólio ampliado

Com a compra dos terminais da Motiva, o grupo ampliou a presença global e passou a administrar 36 hubs em sete países. 

No Brasil, assume operações que movimentam cerca de 45 milhões de passageiros por ano, concentrados na CPC Holding, vendida integralmente pela antiga CCR. 

Aeroportos adquiridos da Motiva 

  • Confins (BH Airport) – Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG)
  • Pampulha – Belo Horizonte (MG)
  • Afonso Pena – São José dos Pinhais/Curitiba (PR)
  • Bacacheri – Curitiba (PR)
  • Cataratas – Foz do Iguaçu (PR)
  • Governador Beto Richa – Londrina (PR)
  • Lauro Carneiro de Loyola – Joinville (SC)
  • Ministro Victor Konder – Navegantes (SC)
  • Comandante Gustavo Kraemer – Bagé (RS)
  • Aeroporto de Pelotas – Pelotas (RS)
  • Rubem Berta – Uruguaiana (RS)
  • Santa Genoveva – Goiânia (GO)
  • Marechal Cunha Machado – São Luís (MA)
  • Prefeito Renato Moreira – Imperatriz (MA)
  • Brigadeiro Lysis Rodrigues – Palmas (TO)
  • Senador Nilo Coelho – Petrolina (PE)
  • Senador Petrônio Portella – Teresina (PI)
  • Willemstad – Curaçao
  • Juan Santamaria – Costa Rica
  • Quito – Equador

Do valor total da negociação, R$ 5 bilhões correspondem ao patrimônio líquido pago pelas participações acionárias. Outros R$ 6,5 bilhões se referem às dívidas líquidas vinculadas à holding.

Aeroportos que a empresa já administrava

  • Cancún (México)
  • Cozumel (México)
  • Huatulco (México)
  • Mérida (México)
  • Minatitlán (México)
  • Oaxaca (México)
  • Tapachula (México)
  • Veracruz (México)
  • Villahermosa (México)
  • San Juan (Porto Rico)
  • Carepa (Colômbia)
  • Corozal (Colômbia)
  • Medellín (Colômbia)
  • Montería (Colômbia)
  • Quibdó (Colômbia)
  • Rionegro (Colômbia)

Resultados do terceiro trimestre

O movimento ocorre no momento em que o grupo mexicano atravessa uma fase de expansão combinada a um ajuste operacional. O balanço do terceiro trimestre de 2025 mostra crescimento de receita e investimentos, mas redução do lucro e do Ebitda, influenciados, segundo a companhia, pela volatilidade cambial e pelo aumento das despesas de depreciação e amortização. 

Entre julho e setembro, a Asur movimentou 17,32 milhões de passageiros, alta de 0,4% em relação ao mesmo período de 2024. O desempenho foi desigual entre os países. 

O México, que concentra a maior parte das operações, recuou 1,1% e registrou 9,52 milhões de passageiros. Porto Rico avançou 1,1%, para 3,35 milhões, enquanto a Colômbia cresceu 3,1%, atingindo 4,45 milhões.

Receita e investimentos em alta, lucro em baixa

A receita total do grupo alcançou 8,765 bilhões de pesos mexicanos, alta de 17,1% na comparação anual. O lucro, porém, caiu para 2,211 bilhões de pesos mexicanos, queda de 36,4%. 

O Ebitda somou 4,639 bilhões de pesos mexicanos, recuo de 1,3% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. 

Em contrapartida, os investimentos tiveram salto de 79,7%, chegando a 1,872 bilhão de pesos mexicanos, dos quais 1,681 bilhão foi direcionado aos aeroportos mexicanos dentro dos acordos regulatórios de expansão. 

A companhia encerrou setembro com caixa de 16,259 bilhões de pesos mexicanos.

Terminais seguem sob gestão da Motiva

A aquisição dos ativos da Motiva marca a entrada definitiva da Asur no ambiente regulatório brasileiro, considerado um dos mais complexos e relevantes da aviação civil mundial, especialmente devido ao porte continental do país.

Até a conclusão do negócio, prevista para 2026, os aeroportos seguirão sob gestão da Motiva, que manterá equipes e obrigações contratuais. 

A empresa afirma que a venda está alinhada ao plano de focar exclusivamente em concessões rodoviárias e ferroviárias.

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