Por que comissão que analisa cassação de Ganem só começará a funcionar em 2026

Prazo regimental de 90 dias para os trabalhos do comitê começa a valer nesta terça-feira (16)
lucas ganem
Vereador é o primeiro a enfrentar processo de cassação na atual legislatura. Foto: Tatiana Francisca/CMBH

Será realizada apenas na primeira semana de janeiro a reunião inaugural da Comissão Processante responsável por analisar a cassação do vereador Lucas Ganem (Podemos). O presidente do comitê, Bruno Miranda (PDT), o relator Edmar Branco (PCdoB) e o outro integrante, Helton Júnior (PSD), terão 90 dias, a partir desta terça-feira (16), para enviar um parecer à apreciação dos colegas no plenário da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH).

Quando os membros do colegiado foram definidos por sorteio, em 4 de dezembro, a expectativa era de que os trabalhos da comissão fossem iniciados ainda este ano. Pelo que apurou O Fator, entretanto, o respeito aos prazos regimentais do processo não foi o único aspecto que fez com que a primeira reunião fosse adiada para 2026.

Nos bastidores, lideranças ligadas ao Podemos e à Família Aro, grupo liderado pelo secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro (PP), atuam para encontrar uma solução política para o caso.

Uma possibilidade mencionada por interlocutores, por exemplo, é a de que Ganem se licencie do mandato por um período superior a 120 dias, o que obrigaria o presidente da Casa, Juliano Lopes (Podemos), a convocar o primeiro suplente na chapa em que Ganem se elegeu para assumir interinamente uma cadeira na Câmara.

Nesta equação, o processo de cassação de Ganem seria arquivado e o ex-vereador Rubem Rodrigues de Oliveira, o Rubão (Podemos), retornaria, incialmente em caráter provisório, ao Legislativo municipal. Rubão é aliado de Aro e atualmente chefia a secretaria municipal de Esportes e Lazer.

Lucas Ganem, cabe lembrar, é pré-candidato a deputado estadual pelo Podemos, e integrantes de sua família, entre eles seu primo, o deputado federal Bruno Ganem (Podemos-SP), são politicamente próximos à presidente nacional da legenda, deputada federal Renata Abreu, também de São Paulo.

Além de preservar a boa relação de seu grupo com o partido, um acordo pelo arquivamento da cassação de Ganem evitaria também o desgate político que tanto a Câmara Municipal quanto os parlamentares sofreriam por apreciar um processo desta natureza.

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