O presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Tadeu Leite (MDB), usou a reta final da aprovação do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) para marcar posição política, atribuir protagonismo ao Legislativo na superação do Regime de Recuperação Fiscal (RRF) e cobrar publicamente o governo estadual por ações concretas, em pronunciamento no plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
A fala ocorre em meio às articulações para a disputa pelo governo de Minas em 2026, cenário em que o nome de Tadeuzinho é disputado por diferentes forças políticas.
Em tom de recado, o presidente da ALMG afirmou que, enquanto parte da classe política estaria voltada para as eleições do próximo ano, a Assembleia concentrou esforços na aprovação do Propag e na condução de decisões estruturais para o Estado.
“Enquanto muitos ainda percam tempo preocupados com a política e com as eleições, esta Casa, a Assembleia, trabalha olhando para as pessoas com responsabilidade, maturidade institucional e confiança no futuro”, disse.
Segundo ele, o Legislativo assumiu o desgaste de enfrentar temas sensíveis, encerrou um ciclo marcado pelo impasse fiscal e transfere, agora, ao governo de Minas a responsabilidade pela execução do novo modelo, levando resultados concretos para a população.
“Estamos dando ao governo a oportunidade de adotar um novo modelo, mais justo, mais responsável, verdadeiramente voltado à reconstrução do nosso estado e infinitamente melhor do que a proposta anterior”, afirmou.
De acordo com Tadeu, a substituição do RRF pelo Propag, proposta inicialmente pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD) e articulada por ele na Assembleia, abriu espaço para que o Estado reduza o peso do endividamento no orçamento e direcione o alívio financeiro para investimentos e para a solução de passivos acumulados ao longo de mais de duas décadas.
O presidente da Casa cobrou do Executivo estadual que a adesão ao novo modelo não se limite ao ajuste fiscal. Ele apontou como prioridades a recomposição e a incorporação salarial dos servidores públicos, além do fortalecimento de áreas como segurança, infraestrutura, saneamento, saúde e educação.
Ao fazer um balanço do processo, Tadeu detalhou a atuação da ALMG durante a tramitação do programa.
Segundo ele, o Parlamento rejeitou a retirada do referendo popular e a privatização da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), suprimiu a lista de imóveis passíveis de federalização e promoveu ajustes no marco do saneamento, com a criação de mecanismos de subsídio cruzado e de um fundo voltado a garantir investimentos e tarifas compatíveis com a realidade dos municípios do Vale do Jequitinhonha e do Mucuri.