As reuniões entre Gabriel Galípolo e Alexandre de Moraes, admitidas nesta terça (23) pela assessoria de imprensa do STF, não foram publicadas na agenda de nenhum dos dois.
O Fator baixou toda a agenda de Galípolo como presidente do Banco Central. São ao todo 666 registros desde a posse dele, em 1º de janeiro de 2023.
O nome de Moraes aparece apenas uma vez, em 29 de setembro deste ano, quando Galípolo compareceu à cerimônia de posse de Edson Fachin como presidente do STF, e Moraes como vice. É também o único compromisso registrado dele no STF.
Já Moraes não publicou nenhum evento na agenda ao longo de 2025.
Procurada ontem, a assessoria de imprensa do Banco Central não respondeu a O Fator se Galípolo teve encontros com Moraes fora da agenda.
A jornalista Malu Gaspar, em O Globo, revelou nesta segunda (22) que Moraes procurou Galípolo “pelo menos quatro vezes para fazer pressão em favor do Banco Master”, e que pelo menos um desses encontros foi presencial.
Em nota publicada hoje, a assessoria de imprensa do STF admitiu que “[o] Ministro Alexandre de Moraes (…) em virtude da aplicação da Lei Magnitsky, recebeu para reuniões o presidente do Banco Central” e outras pessoas. A nota não cita o Banco Master ou o jornal O Globo.
“Em todas as reuniões, foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito”, diz o texto.
A nota também não explica por que esses compromissos não foram registrados em agenda pública.
As sanções contra Moraes sob a Lei Magnitsky foram aplicadas no fim de julho, e já revogadas.
Em 19 de agosto, pouco depois de Moraes ser sancionado, a Câmara Legislativa do DF aprovou o projeto de lei do governador Ibaneis Rocha (MDB) autorizando o estatal BRB a comprar boa parte do Banco Master.
O Banco Central rejeitou a compra em 3 de setembro.
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