A Câmara Municipal de Itaúna, no Quadrilátero Ferrífero, oficializou, nesta sexta-feira (16), a vacância do cargo de vice-prefeito da cidade. O posto era ocupado por Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto, foragido desde setembro, quando foi alvo da Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para investigar um esquema de exploração ilegal de minério e obtenção irregular de licencas ambientais.
A vacância foi declarada por meio de ato assinado pelo presidente da Câmara de Itaúna, Antônio de Miranda Silva (União Brasil). No documento, o chefe do Legislativo diz que Hidelbrando está fora da cidade por um período superior a 15 dias e lembra que, conforme determina a Lei Orgânica do Município, saídas do tipo precisam ser autorizadas pelos vereadores.
Ainda de acordo com Silva, a ausência de Hidelbrando da cidade é “fato objetivamente comprovado por Certidão Oficial de Registros Migratórios, formalmente solicitada pela Comissão Processante e emitida pela Polícia Federal”.
Conforme a PF, o vice-prefeito deixou o Brasil em 15 de setembro, por meio do Aeroporto de Confins.
O pedido de afastamento de Hidelbrando, eleito pelo PL no ano retrasado, é oriundo de requerimento apresentado pelo vereador Kaio Guimarães, do PMN.
O ato de vacância destaca que a medida não interfere em decisões judiciais anteriores que suspenderam processos de cassação, tratando-se exclusivamente de uma vacância por abandono do cargo comprovado por registros migratórios.
A Câmara determinou a comunicação imediata do fato ao Juízo Eleitoral e ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
Operação Rejeito
Segundo a PF, Hidelbrando teria utilizado a experiência acumulada em sete anos de cargos na Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) – onde foi secretário Executivo e subsecretário de Regularização Ambiental – para facilitar crimes ambientais e atos de corrupção. Ele deixou a função pública em 2021 e, meses depois, de acordo com os investigadores, se associou a empresários para atuar no mercado minerário.
O vice-prefeito é sócio da HCRN Assessoria e da Brava Mineração, empresas que, de acordo com a Polícia Federal, funcionavam como estruturas de blindagem patrimonial.
Hidelbrando também teria atuado como intermediário, com a tarefa de transmitir exigências contratuais e minutas entre os líderes ocultos do esquema. Essa função evitava o contato direto entre o delegado Rodrigo Teixeira e os demais empresários investigados.
O Fator fez contato com a Prefeitura de Itaúna. Em caso de resposta, este texto será atualizado.
