O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) terá, nesta e na próxima semana, conversas que devem resultar em uma definição sobre seguir ou não na vida pública. Nome desejado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para concorrer ao governo de Minas Gerais, Pacheco se reunirá, na sexta-feira (23), com lideranças de diferentes partidos, entre eles do União Brasil, cotado como possível destino em caso de permanência na política.
A hipótese de filiação ao União, no entanto, enfrenta obstáculos. O partido forma uma federação com o PP e tem entre suas principais lideranças nacionais o presidente Antônio Rueda, e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) – ambos com projetos políticos em divergência com os de Pacheco.
Apesar do desejo de Lula pela candidatura de Pacheco, interlocutores do parlamentar avaliam que, diante das dificuldades partidárias, a participação do senador na eleição estadual é improvável. Ao mesmo tempo, a saída do PSD em caso de permanência na vida pública é dada como certa porque a legenda já definiu que terá, como representante na corrida ao Palácio Tiradentes, o vice-governador Mateus Simões.
Pacheco ainda tem convite para se filiar ao PSB, mas considera inviável associar sua imagem a um partido do campo da esquerda, embora aceite ser o nome apoiado por Lula caso encontre viabilidade política. De acordo com pessoas próximas, o senador só cogita disputar o governo se contar com um partido capaz de oferecer estrutura organizacional e garantias financeiras para sustentar a campanha.
Condição
Um dos pontos centrais das negociações é o pleito de Pacheco para presidir o diretório estadual do futuro partido. A medida, segundo aliados, é vista como forma de assegurar controle sobre as decisões financeiras e políticas do partido em Minas, garantindo o cumprimento de eventuais acordos eleitorais.
No União Brasil, as resistências à chegada de Pacheco são consideráveis. No estado, o partido é comandado pelo deputado federal Delegado Marcelo Freitas e reúne grande número de parlamentares alinhados à oposição ao governo Lula. Além disso, a federação com o PP já trabalha para ter o secretário de Estado de Governo de Minas, Marcelo Aro (PP), como candidato ao Senado Federal na chapa encabeçada por Simões.
Nos últimos dias, Rueda e Ciro Nogueira reafirmaram a interlocutores mineiros que a intenção de União e do PP é manter esse projeto estadual, reduzindo o espaço para uma eventual composição em torno de Pacheco.