A nova opção partidária de Carlos Viana e a relação com a CPMI do INSS

Comando do Republicanos em Minas é alvo de investigação da PF e de pedidos de convocação na CPMI presidida pelo senador
Carlos Viana
O senador Carlos Viana está à frente da CPMI do INSS. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O senador mineiro Carlos Viana vai deixar o Podemos como parte da estratégia para disputar a reeleição neste ano e já mantém conversas com outras legendas. Segundo apurou O Fator, uma das siglas com as quais o parlamentar negocia é o Republicanos. Caso a mudança se concretize, esta será a sexta troca de partido desde que foi eleito, em 2018.

O Republicanos já abriga o filho do senador, o deputado federal Samuel Viana (MG), e conta ainda com outro representante de Minas Gerais no Senado, Cleitinho Azevedo, que tem mais quatro anos de mandato, mas é cotado para disputar o governo do estado nas eleições de outubro.

Outro elemento que pesa nesse cenário é a possibilidade de o presidente estadual do Republicanos e deputado federal Euclydes Pettersen desistir da pré-candidatura ao Senado. Como O Fator mostrou, o parlamentar pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa (ALMG), em uma articulação que prevê uma dobradinha com o primo, Luciano Pettersen, que deve concorrer à Câmara dos Deputados.

O recuo de Euclydes nas articulações para a corrida ao Senado está diretamente ligado aos desdobramentos da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), que investiga um rombo bilionário no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a partir de descontos indevidos em benefícios previdenciários.

O tema, inclusive, coloca Viana e Euclydes frente a frente no Congresso Nacional. O senador preside a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Na condição de presidente da comissão, cabe a ele conduzir os trabalhos e pautar requerimentos, entre eles pedidos de convocação de investigados para prestar esclarecimentos.

Mas a chance de o deputado federal ser chamado para depor na CPMI do INSS é vista como remota por integrantes do colegiado ouvidos por O Fator. O nome dele chegou a ser citado na comissão, e dois requerimentos pediam que o parlamentar fosse convidado a prestar esclarecimentos. A CPMI, porém, encerrou as atividades em 2025 sem analisar os ofícios.

Como mostrou a reportagem, a avaliação entre interlocutores é de que essa articulação tende a se manter no próximo ano. Isso porque a bancada do Republicanos está entre as maiores do Congresso Nacional, e Euclydes teria influência suficiente junto às lideranças partidárias para tentar barrar iniciativas desse tipo. O parlamentar nega irregularidades.

Em outubro, O Fator mostrou que um dos fatores que levam Viana a decidir deixar o Podemos é o comando do partido em Minas Gerais, hoje sob a presidência da deputada federal Nely Aquino. Ela é aliada do secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro (PP), pré-candidato ao Senado que deve ter o Podemos como uma das siglas de seu arco de alianças.

Carlos Viana foi eleito senador em 2018 pelo extinto PHS. Desde então, passou por PSD, MDB e PL, até desembarcar no Podemos, em 2023. A reportagem procurou o senador para comentar sobre o caso, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço permanece aberto.

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