Uma ala do PL nacional defende que, confirmada a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto nas eleições de 2026, o partido construa um palanque próprio na disputa pelo governo de Minas Gerais.
Hoje, a sigla está apalavrada com o vice-governador e pré-candidato do PSD ao comando do estado, Mateus Simões. Essa articulação, inclusive, teria sido liderada também pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), com aval dos diretórios.
Mas, segundo fontes ouvidas pela reportagem, as conversas da última semana em Brasília passaram a considerar a ampliação das opções.
A principal ressalva em relação a uma aliança com Simões é o fato de ele sustentar, em Minas, um palanque para o governador Romeu Zema (Novo), que também é pré-candidato à Presidência da República.
Dessa forma, esse cenário só mudaria com uma eventual desistência de Zema da corrida ao Planalto para compor como vice ou disputar o Senado em uma chapa encabeçada por Flávio.
Essas hipóteses, porém, têm sido descartadas categoricamente pelo governador ao longo das últimas semanas, seja em uma composição com o senador do PL ou com outro nome.
O peso de Minas Gerais
A avaliação interna de integrantes do diretório nacional mais próximos da família Bolsonaro é de que Minas, segundo maior colégio eleitoral do país, exige atenção estratégica e, assim, não seria adequado o PL integrar, no primeiro turno, uma chapa que não esteja alinhada nacionalmente a Flávio.
Isso, principalmente, porque o partido dispõe de nomes competitivos no estado, como o próprio Nikolas Ferreira, e esse capital político poderia ser utilizado para consolidar a ampliação da legenda e garantir votos para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O PL na capital federal, contudo, reconhece que, neste momento, não compensa lançar um nome próprio para encabeçar a chapa. Por isso, entre as alternativas em discussão está a possibilidade de apoiar outro candidato, com a indicação de vice e a composição para o Senado.
Um dos analisados é o do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), pré-candidato ao governo, embora seu partido mantenha diálogo com diferentes campos políticos.
O Fator mostrou que, no fim do ano passado, Flávio Bolsonaro chegou a conversar com Cleitinho para que ele apoiasse Simões, com o objetivo de evitar a fragmentação da direita em Minas.
Sobrenome em primeiro lugar
Mas, segundo uma fonte próxima ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, há no partido uma preocupação adicional, que vai além da articulação da direita: evitar que a família Bolsonaro transmita a imagem de perda de protagonismo nas decisões estratégicas nos estados, especialmente em Minas.
Esse ponto tem pesado nas discussões em andamento. A mesma fonte ressalta que, apesar de existirem conversas avançadas com o vice-governador, sempre há margem para mudanças.
A prioridade, segundo a avaliação interna, é tomar uma decisão que assegure protagonismo ao PL e ao sobrenome Bolsonaro nessas articulações. Cabe lembrar que há também divergências dentro da própria família.
Michelle Bolsonaro, por exemplo, apoia Nikolas Ferreira e as decisões políticas conduzidas por ele, enquanto os filhos do ex-presidente querem manter o protagonismo da direita par a família. A preocupação central é evitar a perda desse capital político.
“Em resumo, embora exista a percepção de que Nikolas Ferreira seja tratado como alguém da família, ele não carrega o sobrenome Bolsonaro, e há um receio de perda de protagonismo. A avaliação é que, se o grupo abrir mão agora de decisões nos estados, pode acabar perdendo o controle de outras definições lá na frente. Ainda assim, tudo segue muito em aberto”, afirmou um cacique do PL.