O que diz a proposta de alteração do plano diretor de Nova Lima

Texto, que ainda está em fase de construção, teve as diretrizes enviadas nesta semana a conselho municipal
Foto mostra a cidade de Nova Lima
Nova Lima iniciou debates sobre novo plano diretor. Foto: Lucas Mendes/Prefeitura de Nova Lima

A Prefeitura de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), encaminhou, ao Conselho da Cidade, as bases da proposta para o novo plano diretor. O documento, que chegou ao comitê nessa quinta-feira (5), defende a divisão do território local em quatro macrozonas, conforme a vocação de cada área. O conselho tem até 20 de fevereiro para dar sugestões. Posteriormente, a questão será levada à Câmara Municipal.

Há uma macrozona de adensamento urbano, onde já há ocupação consolidada, bem como uma área voltada à expansão urbanística. A terceira macrozona, destinada ao uso sustentável do solo, tem baixo adensamento populacional e deve conservar condicionantes de conservação. A quarta, de utilidade rural, fica fora do perímetro urbano e é voltada a produtores agropecuários e a empreendimentos minerários ativos — que, depois de encerrados, poderão ter suas áreas reutilizadas de outras formas.

As macrozonas são subdivididas em zoneamentos de uso preferencial, que incluem áreas destinadas especificamente ao uso residencial, espaços voltados a empreendimentos de uso misto, combinando comércio e serviço, e zonas industriais. Também há zonas especiais, voltadas a questões como habitação de interesse social, destinada a famílias em situação de vulnerabilidade, proteção animal e desenvolvimento turístico.

Na minuta do plano diretor, o prefeito João Marcelo Dieguez (Cidadania) diz que as macrozonas tem por objetivo “estabelecer padrões adequados de urbanização”, “orientar o uso rural, garantindo o manejo consciente e a preservação dos recursos naturais” e “orientar as atividades residenciais, comerciais e industriais para a convivência harmônica com as demais ocupações do território”.

“O adensamento, os usos e as atividades permitidos são conformados de acordo com as características de cada macrozona e orientam o planejamento da infraestrutura e dos serviços para cada localidade”, completa o chefe do Executivo.

Seis eixos

Em linhas gerais, o plano diretor estabelece metas para seis eixos: habitação, mobilidade, meio ambiente, mineração, governança urbana e patrimônio cultural. 

A questão patrimonial, aliás, é tema de uma das seções do documento. Segundo o texto, as características dos sítios arqueológicos e dos bens culturais da cidade precisará ser levada em conta na concepção e execução de obras em áreas públicas e privadas no entorno dos locais considerados importantes para a história nova-limense. 

Na lista de objetivos específicos, aparecem a regulação do parcelamento, do uso e da ocupação do solo e a diversificação da atividade econômica por meio não apenas do turismo, mas também do empreendedorismo e da economia sustentável.

Reserva de espaço para moradias sociais

O plano de incentivo às moradias sociais, por sua vez, aparece em um artigo que determina que condomínios com mais de 50 mil metros quadrados deverão reservar 5% de seu território para a construção de moradias sociais. Essas habitações não precisarão necessariamente ser erguidas em área adjacente aos edifícios.

A estratégia para as moradias sociais contempla também a criação de um programa municipal voltado à construção de residências. A política pública servirá para autorizar a eventual injeção de recursos da prefeitura nas obras, além de facilitar a inferface com programas habitacionais estaduais e federais.

De cunho social ou não, as construções deverão seguir parâmetros urbanísticos que variam conforme as zonas que dividem a cidade. Terrenos localizados em áreas com declividade maior que 30 graus terão de cumprir regras mais rígidas, com maior índice de permeabilidade e apresentação de laudos geológico e geotécnico.

Áreas de mineração poderão ser convertidas

A transformação de lotes originalmente voltados à mineração poderá acontecer por meio de um mecanismo batizado de Área de Diretrizes Especiais (ADE). Para um espaço ser convertido em ADE, será preciso definir parâmetros de uso, ocupação e parcelamento do solo. Essas etapas serão precedidas por estudos técnicos e debate junto à sociedade civil. 

O município também se compromete a auxiliar no controle e fiscalização das zonas de autossalvamento, inclusive com políticas de realocação de ocupações irregulares ou clandestinas nessas áreas.

Ainda no campo da mineração, há veto à ocupação de áreas que estejam suscetíveis a problemas em caso de rompimento de barragem de rejeitos. A proibição também vale para terrenos localizados na proximidade de reservas hídricas, campos de geração de energia e localidades sensíveis a enchentes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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