O banho-maria do PT nacional na pré-candidatura de Marília ao Senado

Prefeita de Contagem precisa definir até o começo de abril se deixará o cargo para entrar na disputa eleitoral
A prefeita de Contagem, Marília Campo.
Aliados de Marília criticam a indefinição nas articulações eleitorais do PT. Foto: Luiz Santana/ALMG

A prefeita de Contagem, Marília Campos, encurtou a passagem por Salvador (BA) no fim de semana, onde aconteceram as comemorações pelos 46 anos de fundação do PT. Segundo apurou O Fator, Marília antecipou o retorno para Minas Gerais e não participou da festa oficial, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na noite de sábado (7).

A decisão da prefeita de antecipar a volta para Contagem tem relação com sua pré-candidatura ao Senado Federal. Embora a participação de Marília na disputa já tenha sido aprovada pelo Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) instituído pelo PT mineiro, ela não tem recebido da cúpula nacional petista a promessa de que será o nome prioritário de Lula para a Casa Alta do Congresso em Minas.

Ter a prioridade de Lula é condição colocada por Marília para deixar a prefeitura e entrar na disputa eleitoral. Ainda conforme apuração da reportagem, a petista tem mostrado certo incômodo com a possibilidade de ter de dividir o apoio do presidente da República com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), que também pode se lançar ao Senado.

Possibilidade de palanque amplo

Mesmo com o aval do PT mineiro à pré-candidatura de Marília, o martelo só será batido pela direção nacional da sigla. Nesse contexto, interlocutores não descartam a possibilidade de o partido ficar fora da chapa majoritária.

Aliados da prefeita de Contagem não escondem o incômodo com a demora da direção nacional do PT em oficializar o apoio à pré-candidatura dela ao Senado.

No que diz respeito a Minas, contudo, o foco de Lula no momento é o impasse em torno da candidatura ao governo. O presidente da República concentra esforços em convencer o senador Rodrigo Pacheco, que está de mudança do PSD para o União Brasil, a disputar a sucessão de Romeu Zema (Novo).

A questão, aliás, será tema de uma reunião entre os dois. O encontro pode acontecer ainda nesta semana.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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