Grupo de Boulos defende entrada do Psol em federação liderada pelo PT

Possível adesão do partido a grupo que já tem PCdoB e PV mudaria cálculo para a disputa eleitoral deste ano
PSOL discute entrada em federação com o PT. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Setores do Psol intensificaram, nesta semana, a defesa para que a legenda passe a integrar a federação partidária liderada pelo PT. Um dos entusiastas da ideia é o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos. O Fator apurou que Boulos aproveitou uma reunião com parlamentares nessa terça-feira (10) para levar o assunto à mesa.

Atualmente, os petistas já compõem uma coalizão com PCdoB e PV. Os três partidos já manifestaram o interesse em renovar o acordo. O Psol, por sua vez, está federado à Rede Sustentabilidade. Para se juntar ao PT, os pessolistas teriam de romper com a Rede, a não ser que a legenda aliada aceite caminhar junto rumo à nova federação.

Segundo aliados de Boulos, a união ao PT ajudaria a fortalecer a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso Nacional.

“O PSOL continuará sendo um partido à esquerda do PT, mas que está ao lado do presidente, combativo, independente e arrojado”, sustenta um interlocutor da legenda ouvido pela reportagem, favorável à proposta.

A ala mais cautelosa do Psol, contudo, enxerga risco de perda de protagonismo. O exemplo do PCdoB, que está formalmente federado aos petistas desde 2022, circula nas conversas internas como uma espécie de alerta: entrar é fácil; manter peso político dentro da engrenagem é outra história

Com uma eventual federação, a estratégia eleitoral do Psol poderia sofrer alterações. Em Minas Gerais, a legenda tem a ex-deputada federal Áurea Carolina como pré-candidata ao Senado Federal, enquanto o PT aprovou a pré-candidatura de Marília Campos, prefeita de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Embora duas cadeiras da Câmara Alta estejam em disputa neste ano, uma delas pode ser usada como moeda de composição com outra legenda — como, por exemplo, em uma eventual candidatura do ministro Alexandre Silveira, atualmente no PSD, mas sondado por partidos que devem apoiar Lula, como o PSB.

Também haveria impacto na montagem das chapas proporcionais. O Psol passaria a negociar cada vaga dentro de uma estrutura que já abriga três partidos. Isso significa dividir espaço com quadros que têm mandato, máquina partidária e densidade eleitoral consolidada — cenário que já ocorre na federação com a Rede Sustentabilidade, mas em escala menor.

Prazo apertado

No plano formal, o caminho também impõe etapas. A federação precisa ser aprovada pelos órgãos nacionais dos partidos, por maioria absoluta, ter programa e estatuto comuns e ser registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) seis meses antes da eleição de outubro.

Só após esse crivo jurídico a união passa a valer como se fosse um único partido, inclusive com compromisso mínimo de quatro anos.

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