Crise no Psol mineiro tem pedidos por mudança de comando e por endosso a pré-candidatura ao governo

Além de Áurea Carolina para o Senado, partido avalia lançar candidatura própria para o governo do estado
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Partido completa 21 anos de fundação em 2026. Foto: Psol

O Psol de Minas Gerais enfrenta uma crise interna a cerca de seis meses das eleições. Uma ala da legenda defende a mudança na direção do partido. A justificativa é que o comando está nas mãos do grupo político da deputada estadual Bella Gonçalves, que se filiou ao PT.

Em manifesto obtido por O Fator, setores da legenda afirmam que a agremiação não tem informado aos institutos de pesquisa a pré-candidatura de Maria da Consolação ao governo do estado. O documento, elaborado pelo Bloco Socialista, que reúne diversas correntes da sigla, diz que “é inaceitável que o Psol Minas seja cooptado pelo PT”.

“A Revolução Solidária, grupo político ao qual Bella Gonçalves e (Guilherme) Boulos pertencem, permanece com seus militantes e dirigentes definindo a política no Psol e, ao mesmo tempo, tenta impor a política do PT de apoio à candidatura de Rodrigo Pacheco no Psol, impedindo o debate democrático no partido”, lê-se em trecho do texto.

Citado no manifesto, o senador Rodrigo Pacheco se filiou ao PSB na semana passada e é o nome prioritário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para concorrer ao Palácio Tiradentes. O parlamentar, contudo, ainda não definiu se vai entrar na corrida eleitoral.

Como O Fator mostrou no fim de março, Bella Gonçalves se filiou ao PT, apesar de a maioria dos integrantes do núcleo de Boulos ter optado pela permanência no Psol. A presidência estadual da agremiação está a cargo de Carol Souza, também ligada ao grupo Revolução Solidária.

Segundo interlocutores da legenda ouvidos pela reportagem, o fato de o comando da sigla estar nas mãos de integrantes do grupo de Boulos e Bella não tem relação com a decisão da parlamentar de deixar o partido. Conforme essas fontes, a permanência da tendência no partido foi acertada nacionalmente.

Composição do diretório será alvo de debate

A O Fator, a vereadora belo-horizontina Iza Lourença lembrou que a saída de Bella do Psol é recente, mas defendeu a abertura de diálogo sobre eventuais mudanças na cúpula diretiva. “O Psol tem suas instâncias democráticas e sua direção foi eleita no último congresso. A saída da
Bella é recente e, diante do novo cenário, iremos debater como ficará a direção do partido”, pontuou.

Rumos do Psol em 2026

Além da pré-candidatura de Maria da Consolação ao Executivo estadual, o Psol tem a ex-deputada federal Áurea Carolina como pré-candidata ao Senado.

A definição dos rumos do Psol no pleito, cabe ressaltar, depende de um acordo com a Rede Sustentabilidade. As duas legendas formam uma federação partidária e, por isso, precisam caminhar juntas, ainda que haja brecha para dissidências informais.

O Fator tenta contato com Carol Souza. O espaço segue aberto. Já Bella Gonçalves optou por não se manifestar sobre um assunto que compete ao seu antigo partido.

Kalil no radar

Na semana passada, O Fator revelou que a federação Psol-Rede também considera apoiar a pré-candidatura de Alexandre Kalil (PDT) ao governo mineiro. Recentemente, os pessolistas filiaram a deputada federal Duda Salabert, egressa do PDT. O movimento é visto como um elemento a favor de eventual composição com Kalil.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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