O receio de perder uma das duas vagas em disputa para o Senado já tomou conta de setores do PT mineiro. A apreensão aumentou nessa terça-feira (29), após a Quaest colocar Marília Campos numericamente atrás de Domingos Sávio (PL) e empate técnico com ele, Carlos Viana (PSD) e Aécio Neves (PSDB).
Diante do temor, a cúpula do partido deposita fichas na agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado nesta semana. A expectativa é que o discurso de Lula tenha foco na disputa legislativa. O chefe do Executivo estará em Belo Horizonte na próxima sexta-feira (02). Por conta da chuva, precisou cancelar a ida para Juiz de Fora, marcada nesta quarta-feira (30).
A ideia era fazer Lula aproveitar os dois eventos para dar destaque às mulheres e à importância de ampliar a representação feminina no Senado, mas também associar a eleição de Marília à necessidade de o governo contar com uma base forte na Casa. Agora, sem Juiz de Fora, o discurso será o mote apenas da atividade em BH.
A estratégia é apresentar a candidatura como parte do esforço para garantir sustentação política ao presidente no Congresso Nacional. Segundo fontes do PT, a presença de Lula é vista como uma das últimas oportunidades de tentar alterar o cenário da disputa. A preocupação em Brasília é que Marília fique de fora justamente em uma eleição na qual poucos pontos percentuais separam os principais candidatos.
No levantamento da Quaest, Sávio marca 14%, contra 13% de Marília. Viana e Aécio têm 12% cada. O empate técnico acontece porque a margem de erro é de três pontos percentuais.
A reportagem já havia mostrado que Lula chegaria a Minas na reta final da campanha com duas preocupações. A primeira é tentar impulsionar Patrus Ananias (PT) na disputa pelo governo, com a cobrança para que o candidato ampliasse a presença nas ruas em um eventual segundo turno. A segunda diz respeito a ajustar o discurso de Marília ao projeto nacional do partido.
As duas frentes ganharam peso diante do cenário nacional. Minas é estratégica para Lula, que aparece tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno no estado. Na Quaest divulgada na semana passada, Flávio tinha 40% e Lula, 37%, dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
O fator Nikolas
Além de tentar impulsionar Marília, Lula chega a Minas com outra pauta. O presidente deve responder ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), com quem protagonizou uma troca pública de ataques nesta semana.
O atrito começou depois de o parlamentar repercutir nas redes sociais uma fala de Lula sobre o exame preventivo de próstata. O presidente reagiu durante a agenda em Salvador (BA) e chamou Nikolas de “canalha”. A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, também entrou no embate e criticou o deputado. Pouco depois, Nikolas respondeu durante um ato em Patos de Minas, no Alto Paranaíba.