O candidato do Novo ao Senado, Marco Antônio Costa, o Superman, afirmou a O Fator que vai continuar na política mineira e culpou Carlos Viana (PSD) pela divisão do eleitorado de direita na eleição desse domingo (4).
“Você tem alguém que dividiu a direita? Tem nome e sobrenome: Carlos Viana”, disse.
Superman ficou em sexto lugar, com 9,24%, perto de 2 milhões de votos, e diz que Minas é para ele um projeto “de longuíssimo prazo”.
Viana, que tentava a reeleição, ficou em terceiro, com 17,46%, a cerca de dois pontos da segunda vaga. Na noite de domingo, depois do resultado, o senador inverteu a acusação: disse que a estratégia do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) de apoiar Superman acabou “elegendo uma petista”, em referência a Marília Campos (PT).
As duas vagas de Minas ficaram com o deputado federal Domingos Sávio (PL), com 24,21%, e com Marília, ex-prefeita de Contagem, com 19,44%. Nikolas e o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, pediram votos para Sávio e Superman. Viana disputava o mesmo eleitorado e, na reta final, passou a buscar ativamente o bolsonarismo, abandonando o correligionário Ronaldo Caiado e declarando apoio a Flávio.
‘Minas me abraçou para a vida’
Superman, que fez a primeira eleição em Minas, disse que a campanha passou por mais de 80 cidades e que pretende seguir no estado com o grupo de Nikolas. “Minas Gerais me abraçou para a vida”, afirmou. “Eu vou honrar cada um dos 2 milhões de votos”, completou.
No 2° turno, ele diz que vai trabalhar pela eleição de Flávio Bolsonaro em Minas e no país, usando seus canais nas redes sociais. Depois, pretende se dedicar a campanhas contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o inquérito das fake news, com abaixo-assinados e mobilização de profissionais da área jurídica.
O site e o mandato de Viana
A principal crítica de Superman a Viana é o site senadoresdireita.com.br, que imitava a página oficial em que Flávio Bolsonaro divulga seus candidatos ao Senado e colocava Viana no lugar de Superman entre os indicados em Minas.
No domingo, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) mandou o senador tirar o site do ar. O desembargador ressalvou, porém, que ainda não estava provado que Viana era o responsável pelo endereço. O pessedista, a propósito, diz não ter nenhuma relação com o endereço.
Em outra decisão no mesmo dia, o tribunal mandou Viana apagar publicações em que acusava Superman de divulgar “pesquisa falsa”.
“Isso é estelionato eleitoral”, disse Superman sobre o site. “Quem me apoiou foi o Nikolas, quem abriu todas as portas para mim foi o Nikolas. E o Flávio entrou também”.
Superman também criticou o mandato do senador. Segundo ele, Viana se elegeu em 2018 com o apoio de Jair Bolsonaro, mas votou com o governo Lula em 76% das votações e chamou parte da direita de “extremista”.
O candidato do Novo também acusa Viana de ter protocolado um pedido de impeachment contra ministro do STF a um mês da eleição, com “cunho eleitoreiro”, depois de ter dito que esse tipo de pedido era inconstitucional. “O Viana é um Pacheco 2.0”, afirmou, em referência ao senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
A conta de Viana
Para Viana, o apoio de Nikolas a Superman dividiu os votos da direita e abriu espaço para a vitória de Marília. Os números ajudam a explicar o argumento: a diferença entre o senador e a petista foi de cerca de dois pontos percentuais, menos que os 9,24% obtidos por Superman.