A vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em todas as zonas eleitorais de Belo Horizonte no 1° turno, os mais de 3 milhões de votos obtidos pelo deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL) e a eleição do vereador Pablo Almeida, do mesmo partido, como deputado estadual, fizeram a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) ensaiar uma guinada ideológica. A ideia, apurou O Fator, é sinalizar a partidos à esquerda com o objetivo de compor uma frente ampla mirando a eleição de 2028.
Por ora, interlocutores do prefeito Álvaro Damião (União Brasil) têm atuado para a construção de uma nova base governista na Câmara a partir de 2027. Nos corredores da prefeitura, o anúncio de uma pré-candidatura de Pablo a prefeito é tido como certo. Por isso, o plano é tentar isolar os vereadores do PL considerados mais ideológicos.
Nesse cenário, Damião passará a acenar a partidos como PT, Psol, PCdoB, PV e PDT.
A movimentação já terá efeitos na eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal (CMBH), marcada para 12 de dezembro. A leitura de aliados do prefeito é que a Família Aro, grupo liderado pelo ex-secretário de Estado Marcelo Aro (PP), se enfraqueceu politicamente a partir da derrota de Aro para o Senado e da vitória do governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos).
Aro foi secretário da Casa Civil e de Governo de Romeu Zema (Novo) e manteve influência durante os meses iniciais da gestão de Mateus Simões (PSD). Para integrantes da administração de Damião, o ex-deputado federal não terá o mesmo peso político na gestão liderada por Cleitinho.
PT na Mesa Diretora
A articulação em curso é para que o PT aceite o convite de indicar um vereador para a composição da Mesa, em uma construção tanto com o grupo do prefeito quanto com a Família Aro. Para a presidência da Câmara, Damião busca consenso para emplacar um nome de sua confiança.
A tentativa de aproximação do grupo do prefeito com a esquerda não será tarefa fácil. Líder do PT na Câmara, Pedro Patrus tem colecionado embates com Damião desde o ano passado.
No PT, a movimentação ainda é vista com cautela. A prioridade dos petistas é a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Só após o 2º turno, em 25 de outubro, a direção do partido decidirá sobre seu posicionamento em relação à administração municipal.