O Tribunal Superior da Inglaterra negou autorização para que o Comitê de Clientes do Litígio de Mariana recorra da decisão que impediu a mudança automática de advogados dos atingidos pela tragédia de Mariana. Nesta sexta-feira (16), a Corte expediu ordem judicial que formaliza a decisão proferida na última segunda (12).
De acordo com comunicado do escritório britânico Pogust Goodhead (PGMBM), a Corte declarou inválida a tentativa de transferência da representação para o escritório americano Bailey Glasser International (BGI) e determinou o pagamento, no prazo de 14 dias, de um adiantamento de £300 mil (R$ 2 milhões) para cobrir parte dos custos jurídicos do PGMBM.
O Fator questionou o BGI e o presidente do Comitê, Marcelo Krenak, sobre a decisão da Justiça e aguarda retorno.
“Nossos clientes não são mercadorias a serem transferidas entre escritórios de advocacia. São pessoas e comunidades que esperam há quase onze anos por justiça, e seus interesses devem estar acima de ambições comerciais concorrentes. Recebemos com satisfação a decisão do Tribunal e a possibilidade de a ação principal do caso Mariana prosseguir sem novas incertezas sobre a representação dos atingidos”, afirma Alicia Alinia, CEO do PGMBM, em comunicado divulgado pela assessoria de imprensa do escritório.
A decisão
Conforme O Fator noticiou na segunda, a Justiça da Inglaterra e País de Gales definiu que o Comitê de Clientes do Litígio de Mariana não tem autoridade para substituir os advogados de todos os atingidos da tragédia de Mariana que buscam reparação no exterior. Com a decisão, o PGMBM deve se manter, ao menos até os próximos meses, como representante dos atingidos.
A sentença é uma derrota principalmente para o BGI, ligado ao fundador e ex-sócio do PGMBM, Thomas Goodhead. Isso porque, caso a Justiça tivesse reconhecido a legitimidade do Comitê para substituir os escritórios, o BGI poderia vir a ser, automaticamente, o novo representante dos atingidos.